Harvard afasta professor brasileiro de Direito acusado de disparos perto de sinagoga nos EUA

Harvard afasta professor brasileiro de Direito acusado de disparos perto de sinagoga nos EUA
O professor brasileiro Carlos Portugal Gouvêa afirmou à polícia que atirou contra ratos próximos à sua residência, localizada ao lado de uma sinagoga em Brookline, Massachusetts / Reprodução/ ID Global
Publicado em 06/10/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

Universidade Harvard afastou o professor brasileiro Carlos Portugal Gouvêa de suas atividades acadêmicas após ele ter sido preso, no sábado (4), sob acusação de efetuar disparos com uma arma de chumbinho nas proximidades da sinagoga Beth Zion, em Brookline, cidade localizada na área metropolitana de Boston (Massachusetts, EUA).

O episódio ocorreu na quarta-feira (1º) e ganhou repercussão internacional por envolver um docente associado a duas das principais instituições de ensino do mundo: Harvard Law School e a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com o jornal The Harvard Crimson, o professor foi formalmente denunciado por “disparo ilegal de arma de chumbinho, conduta desordeira, perturbação da paz e vandalismo”, conforme documentos do Tribunal Distrital de Brookline.

Embora as acusações sejam de natureza criminal menor, o caso levantou suspeitas de motivação antissemita, já que os disparos ocorreram na véspera do Yom Kippur, a data mais sagrada do calendário judaico.

Professor diz que atirava contra ratos

À polícia, Gouvêa alegou que os tiros foram disparados para afastar ratos que infestavam o entorno de sua casa, localizada ao lado do templo. Ele declarou ser inocente de todas as acusações e foi libertado após pagar fiança, segundo o site local Brookline.News.

O professor deverá comparecer a uma audiência judicial no início de novembro. Até lá, permanecerá afastado de suas funções acadêmicas na instituição americana.

Harvard coloca docente em licença administrativa

Em nota ao The Harvard Crimson, o porta-voz da Harvard Law SchoolJeff Neal, afirmou que o professor foi colocado em licença administrativa enquanto a universidade busca mais informações sobre o episódio.

“O professor Carlos Portugal Gouvêa está em licença enquanto coletamos mais detalhes sobre o ocorrido”, declarou Neal ao jornal estudantil.

O docente ainda não é alvo de um processo disciplinar formal dentro da universidade, mas o afastamento é uma medida preventiva adotada em casos que envolvem possível conduta indevida de professores visitantes.

Trajetória acadêmica e atuação internacional

Gouvêa é doutor em Direito por Harvard (2008) e possui uma trajetória consolidada no meio jurídico. Além de lecionar na USP, é especialista em Direito Empresarial, Contratos e Governança Corporativa, e líder do think tank IDGlobal, organização dedicada a pesquisas sobre justiça social e ambiental e à formulação de políticas públicas.

Ele também é membro do Fórum Nacional das Ações Coletivas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e atua como referência em temas de responsabilidade corporativa e governança.

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde o professor também leciona, informou que está acompanhando o caso e que aguardará as conclusões das autoridades norte-americanas antes de adotar qualquer medida institucional.

O caso continua em investigação, e até o momento, não há indícios formais de motivação religiosa confirmados pela polícia local. LexLegal solicitou um posicionamento por meio da assessoria do professor e atualizará a reportagem caso haja esclarecimentos sobre a prisão e o afastamento de Harvard.

SÃO PAULO WEATHER