Haddad compara bets a cigarro e álcool e defende tributação mais pesada

Haddad compara bets a cigarro e álcool e defende tributação mais pesada
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, propõe equiparar a tributação das bets à de produtos como cigarro e bebidas alcoólicas/ Diogo Zacarias/MF
Publicado em 09/07/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender nesta terça-feira (8) uma tributação mais rigorosa sobre as casas de apostas esportivas virtuais, conhecidas como bets. Segundo ele, essas empresas operam no Brasil com grande lucratividade, mas contribuem pouco para a economia nacional, geram poucos empregos e remetem a maior parte do lucro ao exterior.

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“O governo anterior tratou as bets como se fosse a Santa Casa de Misericórdia, sem cobrar um centavo de impostos das bets durante quatro anos”, criticou o ministro em entrevista. “Os caras estão ganhando uma fortuna no Brasil, gerando muito pouco emprego, mandando para fora o dinheiro arrecadado aqui, e que vantagem a gente leva?”, questionou.

Haddad afirmou que o setor deve ser tratado como o cigarro e o álcool — produtos que, devido aos impactos sociais e à dificuldade de regulação, são submetidos a alíquotas mais altas. “Para mim, tem que tratar as bets na linha do que é o cigarro e a bebida alcoólica. É uma coisa difícil de administrar e há vários casos na história de que, quando proíbe, piora. Temos que enquadrar esse setor de uma vez por todas”, defendeu.

A discussão ocorre em meio aos esforços do governo federal para melhorar o resultado fiscal em 2025 e reduzir a dependência de receitas extraordinárias. “Nosso objetivo é um só: depois de 10 anos estamos buscando resultados fiscais robustos para garantir que a economia continue crescendo, com baixo desemprego e inflação em queda. Mas a impressão que dá é que tem algumas pessoas querendo sabotar o crescimento econômico do país a troco da eleição do ano que vem”, declarou Haddad.

IOF: Haddad pede institucionalidade

O ministro também comentou o impasse entre o Executivo e o Congresso Nacional em torno do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Após o governo publicar um decreto aumentando a alíquota do imposto, o Congresso reagiu com outro decreto para derrubá-lo. Ambos os atos foram suspensos por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que convocou uma audiência de conciliação entre os Poderes para o próximo dia 15 de julho.

Haddad minimizou o conflito institucional e adotou um tom conciliador: “Esse Fla-Flu não interessa a ninguém. Não vejo as coisas assim. Prefiro pensar institucionalmente”, disse.

Ele ressaltou que o governo manterá o diálogo com o Congresso e que pretende se reunir em breve com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. “Quando um não quer, dois não brigam. E nós não vamos brigar porque, no caso, nenhum dos dois quer brigar. Não tenho nem o direito de ter as relações estremecidas porque ele é o presidente da Câmara. […] Nunca saí de uma mesa de negociação. E só saio com acordo”, reforçou.

Imposto de Renda: isenção até R$ 5 mil

Ainda na entrevista, Haddad demonstrou otimismo quanto à aprovação do projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil. A proposta está sendo relatada pelo deputado Arthur Lira, com quem o governo mantém diálogo constante.

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“Eu acredito que esse projeto será aprovado com larga margem de apoio”, declarou.

SÃO PAULO WEATHER