Haddad: Brasil seguirá negociando com EUA, mas prepara plano de contingência contra tarifa de 50%

Haddad: Brasil seguirá negociando com EUA, mas prepara plano de contingência contra tarifa de 50%
Ministro Fernando Haddad diz que Brasil não deixará mesa de negociação, mas já projeta apoio a setores afetados/Valter Campanato/Agência Brasil
Publicado em 21/07/2025 às 12:01

Da redação de LexLegal

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (21) que o Brasil permanecerá na mesa de negociação com os Estados Unidos, mesmo diante da iminente aplicação de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados ao país norte-americano a partir de 1º de agosto. Em entrevista à Rádio CBN, Haddad revelou que o governo federal está elaborando cenários e planos de contingência para lidar com a possível sanção comercial.

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“O Brasil não vai sair da mesa de negociação. A determinação do presidente Lula é de que nós não demos nenhuma razão para sofrer esse tipo de sanção”, afirmou o ministro, ressaltando que o vice-presidente Geraldo Alckmin, o Ministério da Fazenda e o Itamaraty estão atuando em conjunto nas tratativas diplomáticas. “Mandamos uma segunda carta [aos EUA] na semana passada, em acréscimo à de maio, da qual nós não obtivemos resposta até agora, mas vamos insistir na negociação comercial”, completou.

Cenários e respostas possíveis

Segundo Haddad, está sendo estruturado um grupo de trabalho que apresentará alternativas ao presidente Lula ainda nesta semana. O objetivo é analisar medidas de apoio a setores que serão mais impactados, sem recorrer necessariamente ao aumento de gastos públicos.

“A pedido do presidente Lula, nós estamos desenhando os cenários possíveis, tanto da abertura de negociações por parte dos Estados Unidos, o que não aconteceu ainda, até uma resposta eventual às duas cartas que nós mandamos. Podemos chegar no dia primeiro [de agosto] sem resposta? Esse é um cenário que nós não podemos desconsiderar neste momento”, afirmou o ministro.

Haddad adiantou que o governo não pretende responder com sanções, mas avalia a aplicação da lei da reciprocidade como uma das opções. “Temos um grupo de trabalho se preparando para apresentar [propostas] essa semana para o presidente. Quais são as alternativas que temos? Tanto em relação à lei da reciprocidade quanto em relação a um eventual apoio que o presidente eventualmente queira considerar em relação aos setores mais prejudicados”, disse.

Impacto fiscal sob controle

O ministro da Fazenda reforçou que eventuais medidas de apoio não implicariam, necessariamente, em aumento de despesa primária. Ele citou o exemplo do socorro ao Rio Grande do Sul após as enchentes, que utilizou instrumentos de crédito e não apenas recursos orçamentários.

“No caso do Rio Grande do Sul, a menor parte do investimento para recuperar a economia gaúcha foi de gasto primário. A maior parte foi justamente de apoio às empresas afetadas”, destacou.

Conexão política entre Trump e Bolsonaro

Haddad também sugeriu que a decisão dos EUA de aumentar as tarifas pode ter motivações políticas. Para ele, há uma particularidade no caso brasileiro: a relação próxima entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o atual presidente americano, Donald Trump.

“Nesse momento é hora de unidade no país na defesa do interesse nacional e da percepção, que é real, de que nós não estamos sozinhos nessa questão com os Estados Unidos. Mas nós temos uma particularidade que é o fato de que tem uma força política de extrema direita no Brasil que está concorrendo contra os interesses nacionais”, disse o ministro.

Ele relembrou que, em reuniões recentes com autoridades dos EUA, houve abertura para discutir uma tarifa de 10%, mas que, de forma abrupta, o valor foi multiplicado. “O que mudou de dois meses para cá para que uma autoridade dos Estados Unidos estivesse aberta a discutir uma redução de tarifa de 10% e, no meio do caminho, você acorda com a notícia de que de 10% passou a 50%?”, questionou.

Pix e soberania digital

Outro ponto criticado pelo ministro foi o anúncio de Trump de que pretende investigar o Pix. Haddad classificou o sistema como um “modelo exitoso de transações financeiras a custo zero” e comparou sua adoção à substituição de telefones fixos pelos celulares. “Como que o Pix pode representar uma ameaça a um império?”, provocou.

Meta fiscal será mantida

Durante a entrevista, Haddad também afirmou que o governo não pretende revisar a meta fiscal. “Apesar de o mercado sempre falar que nós vamos rever, nós nunca revemos”, garantiu.

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O ministro disse ainda que a equipe econômica trabalha para entregar, até o fim do mandato de Lula, os melhores resultados fiscais, de emprego e crescimento desde 2015. “Nós vamos entregar o melhor resultado fiscal dos últimos 12 anos […] A obsessão do Ministério da Fazenda e da ministra Simone Tebet é entregar o melhor resultado de 2015 para cá”, concluiu.

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