Greve dos petroleiros se expande e já atinge refinarias, plataformas e termelétricas

Da redação de LexLegal
A greve nacional dos petroleiros avançou no segundo dia de paralisação com a adesão de novas unidades operacionais em diferentes regiões do país. Refinarias, plataformas, termelétricas, usinas de biodiesel e unidades logísticas passaram a integrar o movimento, que segue por tempo indeterminado enquanto a categoria aguarda uma nova proposta da Petrobras para o Acordo Coletivo de Trabalho.
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No Rio Grande do Sul, os trabalhadores da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) aderiram à mobilização. No Ceará, a paralisação passou a incluir a Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor), a Termoceará e o terminal de Macuripe. A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que coordena o movimento, informou ainda que no Rio Grande do Norte houve adesão dos empregados da Usina Termelétrica do Vale do Açu, além dos médicos vinculados ao setor de Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS) da companhia.
Na Bahia, o movimento ganhou reforço com a entrada dos trabalhadores da Usina de Biodiesel de Candeias e de diversas unidades da Bacia de Campos, no norte fluminense. Segundo a FUP, somente nessa região já são 22 plataformas operando com equipes de contingência, procedimento adotado em situações de paralisação para garantir níveis mínimos de segurança.
Com as novas adesões, a greve passou a atingir um amplo conjunto de instalações estratégicas do sistema Petrobras. De acordo com o balanço divulgado pela federação, a paralisação alcança atualmente oito refinarias, 24 plataformas, dez unidades da Transpetro, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel, além de campos terrestres na Bahia, a Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB) e a Estação de Compressão de Paulínia, operada pela Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG).
A mobilização ocorre em escala nacional e não tem prazo definido para encerramento. A categoria condiciona o fim da greve à apresentação, por parte da direção da Petrobras, de uma nova contraproposta de Acordo Coletivo de Trabalho que contemple os principais pontos da pauta aprovada pelos trabalhadores.
Entre as reivindicações centrais estão a defesa de uma distribuição considerada mais justa da riqueza gerada pela companhia, o fim dos equacionamentos do plano de previdência complementar Petros e o reconhecimento da chamada pauta pelo “Brasil soberano”. Esse último eixo inclui a suspensão de processos de privatização e o bloqueio de demissões, especialmente na área de Exploração e Produção.
Para os sindicatos, a atual proposta apresentada pela empresa não responde às preocupações estruturais da categoria, sobretudo em um contexto de resultados financeiros expressivos da Petrobras e de debates recorrentes sobre o papel estratégico da estatal no desenvolvimento econômico e energético do país. A FUP sustenta que as reivindicações não se limitam a questões salariais, mas envolvem decisões de longo prazo sobre política industrial, emprego e soberania nacional.
A Petrobras foi procurada para comentar a ampliação do movimento grevista e as demandas apresentadas, mas não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem. Em comunicados anteriores, a companhia tem afirmado que mantém diálogo com as entidades sindicais e que adota planos de contingência para assegurar a continuidade das operações essenciais.
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Especialistas em direito do trabalho e em regulação do setor de energia acompanham o movimento com atenção, uma vez que greves dessa magnitude costumam gerar reflexos não apenas na produção e na logística, mas também em negociações coletivas futuras e na interpretação de cláusulas relativas à manutenção de serviços essenciais.