Governo zera imposto de importação de 970 produtos para frear custos industriais

Governo zera imposto de importação de 970 produtos para frear custos industriais
Norma reverte alta de tarifas em eletrônicos e equipamentos sem similar nacional/CNI
Publicado em 27/03/2026 às 9:16

Da redação de LexLegal

O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu zerar a alíquota de importação para 970 itens. A medida atinge diretamente bens de capital e de informática, revertendo a alta tarifária aplicada em fevereiro sobre cerca de 200 desses produtos.

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O objetivo central é desonerar a produção industrial e garantir o acesso a tecnologias que não possuem fabricação equivalente no Brasil, evitando gargalos no abastecimento e pressões inflacionárias sobre o setor produtivo.

Revisão de tarifas e critérios para concessão do benefício

Dos itens contemplados, 191 representam uma volta atrás na política de elevação de impostos que afetou mais de 1,2 mil produtos eletrônicos este ano. A redução foi autorizada após empresas alegarem que a oferta interna é insuficiente ou inexistente.

Pela regra atual, essas alíquotas permanecem zeradas por quatro meses enquanto o governo realiza uma análise definitiva. O prazo para o setor produtivo solicitar novas inclusões na lista de isenções segue aberto até o dia 30 de março.

Saúde e agronegócio entram na lista de isenções

A Camex também estendeu o imposto zero para setores estratégicos além da tecnologia. Medicamentos para o tratamento de doenças como Parkinson, Alzheimer, diabetes e esquizofrenia tiveram as taxas eliminadas.

No agronegócio, insumos como fungicidas e inseticidas foram beneficiados, assim como itens da indústria têxtil e até o lúpulo para fabricação de cerveja. O Ministério do Desenvolvimento (Mdic) afirma que 779 itens da lista já possuíam concessões anteriores que foram apenas renovadas em decisão de rotina.

Defesa comercial e sobretaxa contra China e EUA

Ao mesmo tempo em que abre o mercado para insumos necessários, o governo endureceu o jogo contra a prática de preços desleais. A Camex aplicou tarifas antidumping definitivas por cinco anos contra as etanolaminas chinesas (usadas em cosméticos) e resinas de polietileno dos Estados Unidos e Canadá.

O dumping ocorre quando um país exporta produtos abaixo do preço de custo para quebrar a concorrência local. No caso do polietileno, muito usado em embalagens e brinquedos, a sobretaxa foi mantida nos níveis provisórios dos últimos seis meses para não encarecer excessivamente a cadeia de consumo.

A estratégia da Camex em 2026 tenta equilibrar o estímulo à indústria nacional com a necessidade de importações baratas para manter a competitividade. Ao recuar na taxação de componentes eletrônicos e bens de informática, o governo atende a uma demanda urgente das fábricas que viram seus custos saltar no início do trimestre.

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A manutenção das salvaguardas contra o polietileno norte-americano mostra que o Ministério busca proteger os produtores de plástico brasileiros, desde que isso não gere um efeito cascata nos preços de produtos básicos ao consumidor final.

SÃO PAULO WEATHER