Governo reage a fala ofensiva de assessor dos EUA contra brasileiras

Governo reage a fala ofensiva de assessor dos EUA contra brasileiras
Amanda Ungaro, Paolo Zampolli, Donald Trump e Melania Trump posam para foto durante comemoração na Flórida, no ano de 2016/Reprodução X
Publicado em 26/04/2026 às 9:00

Da Redação de LexLegal

O Ministério das Mulheres divulgou nota oficial repudiando declarações do assessor especial do governo dos Estados Unidos, Paolo Zampolli, consideradas ofensivas às mulheres brasileiras. A pasta afirmou que as falas reforçam discurso de ódio e atingem a dignidade das mulheres do país.

As declarações foram feitas em entrevista à emissora italiana RAI. Na ocasião, Zampolli afirmou que “as mulheres brasileiras fazem confusão com todo mundo” e se referiu a elas como “raça maldita”. Segundo ele, as mulheres seriam “programadas para fazer isso”.

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O Ministério das Mulheres classificou o conteúdo como incompatível com o respeito aos direitos fundamentais e destacou que esse tipo de manifestação não pode ser tratado como simples opinião.

“Misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa. Nesse sentido, o Ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão”, diz a nota divulgada pela pasta, comandada pela ministra Márcia Lopes.

Governo reafirma compromisso contra violência de gênero

No comunicado, o Ministério reforçou que o governo brasileiro mantém compromisso com a proteção dos direitos das mulheres e com o combate à violência de gênero e raça, incluindo práticas relacionadas à misoginia.

A nota também destaca que manifestações desse tipo contribuem para a reprodução de preconceitos e para a naturalização de discursos que incentivam violência e discriminação.

Além do posicionamento institucional, a primeira-dama Janja Lula da Silva também se manifestou publicamente nas redes sociais. Ela criticou a declaração do assessor norte-americano e mencionou acusações feitas contra ele por sua ex-esposa.

Segundo Janja, Zampolli é acusado por sua ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro, de violência doméstica e abuso sexual e psicológico.

“As mulheres brasileiras, com muita força e coragem, rompem, diariamente, ciclos de violência e de silenciamento. Dizer que somos uma ‘raça maldita’ e ‘programadas para causar confusão’, não nos diminui. Pois sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente”, afirmou a primeira-dama.

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A repercussão das declarações ocorre em meio ao aumento da vigilância sobre discursos considerados discriminatórios e sobre seus possíveis impactos políticos e diplomáticos.

SÃO PAULO WEATHER