Governo estima reduzir pela metade impacto do tarifaço dos EUA

Governo estima reduzir pela metade impacto do tarifaço dos EUA
Apesar da gravidade do cenário, o governo acredita que a combinação de medidas fiscais, crédito direcionado e diversificação de destinos de exportação pode evitar uma retração mais severa na economia brasileira/Diego Baravelli/MInfra
Publicado em 12/09/2025 às 14:30

Da redação de LexLegal

As medidas adotadas pelo governo brasileiro devem atenuar significativamente os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Segundo o boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, o chamado tarifaço poderá ter impacto equivalente a 0,2 ponto percentual (p.p.) do Produto Interno Bruto (PIB). Com a resposta oficial, esse efeito deve cair para 0,1 p.p.

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O estudo avaliou 22 setores da economia e projetou que, sem ações do Executivo, a perda de empregos poderia chegar a 138 mil postos, com maior peso na indústria (71,5 mil vagas), seguida pelos serviços (51,8 mil) e pela agropecuária (14,7 mil). Com as medidas anunciadas, a previsão é de corte de aproximadamente 65 mil postos de trabalho.

No caso da inflação, a estimativa também foi revista. O impacto das tarifas deve acrescentar 0,1 p.p. ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas a previsão da SPE para 2025 foi reduzida de 4,9% para 4,8%.

Estratégia para conter os efeitos

A secretaria destacou o papel do Plano Brasil Soberano, que reúne linhas de crédito do Fundo Garantidor de Exportação voltadas a micro, pequenas e médias empresas, além de exportadores de maior porte. As medidas incluem capital de giro para compensar perdas nas vendas externas aos EUA, estímulo à busca por novos mercados e crédito para aquisição de bens de capital e inovação produtiva.

Outro ponto do programa é a exigência de manutenção de empregos pelas empresas que acessarem os recursos. Além disso, foram prorrogados prazos para pagamento de tributos e ampliadas as compras públicas como forma de reforçar a demanda interna.

De acordo com a SPE, “embora as tarifas tenham impacto setorial relevante, impactam pouco no agregado da economia, e ainda menos quando consideradas as compensações com o Plano Brasil Soberano. Linhas de crédito e a oferta de garantias e diferimentos de tributos, além de compras governamentais, vão auxiliar o investimento em capital e inovação produtiva por parte de produtores e empresas, facilitando a diversificação dos destinos das exportações”.

O tarifaço norte-americano

O aumento das tarifas foi anunciado em duas etapas. Em abril de 2025, Washington aplicou uma alíquota de 10% a determinados produtos brasileiros. Três meses depois, em julho, o governo dos EUA elevou a taxação para 50% em uma lista que inclui minerais não metálicos, metais, máquinas e equipamentos, eletrônicos, móveis e itens agropecuários.

Em 2024, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 40,3 bilhões, o equivalente a 12% do total enviado ao exterior. Desse montante, cerca de US$ 16,4 bilhões passaram a estar sujeitos à tarifa de 50%. Muitos desses produtos são exportados quase exclusivamente para o mercado norte-americano, o que aumenta a pressão sobre setores específicos.

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Apesar da gravidade do cenário, o governo acredita que a combinação de medidas fiscais, crédito direcionado e diversificação de destinos de exportação pode evitar uma retração mais severa na economia brasileira.

SÃO PAULO WEATHER