Governo eleva classificação indicativa do YouTube para 16 anos após alerta de IA

Governo eleva classificação indicativa do YouTube para 16 anos após alerta de IA
Ministério da Justiça cita animações com Inteligência Artificial como a Novela das Frutas para endurecer regras do ECA Digital na plataforma de vídeos/Reprodução/X
Publicado em 06/05/2026 às 16:00

Da Redação de LexLegal

O Ministério da Justiça e Segurança Pública elevou a classificação indicativa do YouTube no Brasil de 14 para 16 anos. A decisão decorre de uma nota técnica que identificou conteúdos impróprios para menores de idade em circulação na plataforma de vídeos do Google. A medida serve de alerta informativo e não proíbe a exibição dos conteúdos, mas exige que o selo de recomendação etária fique visível nas lojas de aplicativos e antes do acesso ao serviço.

Para fundamentar a nova classificação de 16 anos, o governo brasileiro apontou a presença de quatro fatores de risco na plataforma: violência extrema, drogas, conteúdo sexual e linguagem imprópria. Um dos motivos citados pelo órgão para embasar a mudança é a disseminação de produções feitas por inteligência artificial que viralizaram recentemente nas redes sociais, com destaque para a chamada Novela das Frutas.

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O perigo das animações de frutas e a violência detalhada

As animações criadas por ferramentas tecnológicas simulam traços infantis e atrativos, mas apresentam roteiros com teor adulto e problemático para o público infanto-juvenil. O documento ministerial aponta que, sob a aparência de vegetais com características humanas, os vídeos abordam temas como agressões físicas, entorpecentes e crimes sexuais. A fiscalização também identificou cenas de violência explícita em outros materiais da plataforma, com exibição de mutilações e sangue.

“Cabe citar uma nova leva de animações que tem sido amplamente difundidas na plataforma, conhecida pelo público brasileiro como ‘novelas de frutas’. Os personagens são frutas e vegetais com características humanas, geralmente com aparência atrativa para o público infantojuvenil, com traços semelhantes aos de animações populares” diz a nota técnica do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Segundo o órgão, as narrativas trazem enredos nocivos ao desenvolvimento de menores sob uma estética inofensiva.

Regras do ECA Digital e o cerco às big techs

A reclassificação do YouTube integra o conjunto de medidas do ECA Digital, que impõe obrigações mais rígidas para redes sociais, sites de apostas e aplicativos de entrega. A legislação proíbe o uso de autodeclaração de idade em portais restritos a maiores de idade e exige que plataformas com mais de 1 milhão de usuários jovens apresentem relatórios periódicos de moderação. O descumprimento das regras pode gerar sanções severas, com multas que alcançam R$ 50 milhões e risco de suspensão das atividades no país.

“Contudo, as histórias apresentam temas complexos, como apelo sexual, violência doméstica, preconceito, assassinatos, estupros, tráfico de drogas e uso de entorpecentes” completa o documento do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O Google tem o prazo legal de dez dias úteis para recorrer administrativamente da decisão junto à Secretaria Nacional de Justiça.

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A reclassificação do YouTube acompanha decisões semelhantes adotadas pelo governo contra outras redes sociais. Plataformas como TikTok, Kwai e Snapchat também tiveram seus limites de recomendação reajustados para 16 anos após análises de segurança digital conduzidas por órgãos reguladores no início do ano.

SÃO PAULO WEATHER