GIP compra 70% da Aliança Energia por US$ 1 bi; Demarest e Mattos Filho assessoram em joint venture com a Vale

Luciano Teixeira – São Paulo
A mineradora Vale deu mais um passo em sua estratégia de transição energética ao anunciar a venda de 70% de sua participação na Aliança Geração de Energia S.A. para o fundo de investimento Global Infrastructure Partners (GIP). A operação avaliada em US$ 1 bilhão foi assessorada juridicamente pelo escritório Mattos Filho, que representou a GIP, em colaboração com o escritório internacional Latham & Watkins.
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Com a venda, a Vale permanecerá com 30% de participação econômica na Aliança, empresa de geração de energia que se torna agora uma plataforma voltada para fontes renováveis. A conclusão da transação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além de uma reorganização societária envolvendo ativos de geração da própria Vale, como a Usina Hidrelétrica de Candonga e o Complexo Solar Sol do Cerrado.
A Aliança Geração de Energia, agora transformada em uma plataforma com 2.189 megawatts (MW) de capacidade instalada, reúne um portfólio de geração composto por sete usinas hidrelétricas (três em consórcios), três parques eólicos e o complexo solar da Vale. Esse movimento busca fortalecer a posição da empresa no setor de energia limpa e de longo prazo, com impactos diretos na descarbonização da atividade mineral e na estabilidade do fornecimento de energia.
A GIP, por sua vez, é uma das maiores gestoras globais de infraestrutura, com foco em ativos sustentáveis de longo prazo. Ao adquirir a maior parte da Aliança, o fundo entra no setor de energia renovável brasileiro, um dos mais promissores do mundo.
O papel dos escritórios
O escritório Mattos Filho ficou responsável por assessorar a GIP em todas as etapas jurídicas da transação: desde a due diligence — processo detalhado de investigação da empresa alvo — até a negociação dos contratos de compra e venda de ações, acordos de acionistas e os instrumentos de financiamento. Além disso, o time de advogados também participou da renegociação dos contratos de fornecimento de energia entre a Vale e a Aliança.
Participaram da operação os sócios Sabrina Naritomi, Pablo Sorj, Fabiano Luz de Brito, Joana Nara Lima Pimentel Gomes, e os advogados Antonio de Oliveira Filho, Larissa Piccolo e Pedro Hirata. O Latham & Watkins complementou a atuação nas negociações financeiras.
Já a Vale e a própria Aliança foram assessoradas pelo Demarest Advogados.
Além do alto valor envolvido, a transação reflete uma tendência crescente de internacionalização dos ativos de energia renovável brasileiros, com fundos estrangeiros ampliando sua exposição ao setor. O negócio também simboliza uma guinada estratégica da Vale, que alinha seu portfólio ao compromisso de neutralizar emissões e aumentar sua autossuficiência energética de forma sustentável.
Outro ponto de atenção está no uso de contratos de compra de energia (Power Purchase Agreements – PPAs), que foram renegociados como parte do acordo. Esses contratos garantem que a energia gerada seja vendida por um preço fixo e por prazos longos, conferindo previsibilidade tanto para o gerador quanto para o consumidor — neste caso, a própria Vale.
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O sucesso da operação ainda depende do aval de autoridades regulatórias brasileiras, mas sinaliza otimismo no setor, especialmente diante das metas de transição energética do país e do interesse crescente de investidores globais por ativos sustentáveis no Brasil.