Gilmar Mendes vota e STF mantém prisão de Daniel Vorcaro por unanimidade

Da redação de LexLegal
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu manter a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Por 4 votos a 0, o colegiado referendou a decisão do ministro André Mendonça, que no início do mês mandou prender o banqueiro e outros dois investigados ligados ao caso.
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Com a decisão, continuam presos Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do grupo, e Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal acusado de ajudar no acesso a informações sigilosas da apuração. O julgamento ocorreu no plenário virtual da Segunda Turma e foi concluído nesta sexta com o voto de Gilmar Mendes, que acompanhou a maioria, embora tenha feito ressalvas.
A maioria já havia sido formada no último dia 13, quando votaram pela manutenção da prisão o relator André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. Faltava apenas o voto de Gilmar para encerrar a análise. Dias Toffoli, que integra o colegiado, ficou fora do julgamento depois de se declarar suspeito.
A saída de Toffoli do caso está ligada ao fato de ele ser sócio do resort Tayayá, no Paraná. O empreendimento foi comprado por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master e investigado pela Polícia Federal. Esse vínculo já havia provocado desgaste no caso e ajudou a transferir a relatoria das investigações para André Mendonça.
A manutenção da prisão também pressiona a defesa de Vorcaro num momento em que o banqueiro tenta mudar a rota do processo. Na semana passada, depois de o Supremo formar maioria pela continuidade da detenção, ele trocou de advogado. Saiu a banca de Pierpaolo Bottini, crítico de acordos de colaboração, e entrou José Luis Oliveira, criminalista conhecido em Brasília.
A mudança foi lida como sinal de que Vorcaro pode negociar uma delação premiada. Na prática, esse tipo de acordo permite ao investigado colaborar com informações em troca de eventual benefício penal, desde que a colaboração seja aceita pelos investigadores e pela Procuradoria-Geral da República. A própria transferência de Vorcaro para a carceragem da superintendência da Polícia Federal em Brasília foi descrita como parte do início dessas tratativas.
A prisão se insere no centro do escândalo que derrubou o Banco Master. Segundo a Agência Brasil, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de novembro de 2025, após uma crise de liquidez e suspeitas de fraudes bilionárias estimadas em cerca de R$ 17 bilhões. A apuração envolve carteiras de crédito falsas e tentativa de vender ativos fictícios ao BRB para esconder o rombo contábil.
Vorcaro já havia sido preso no mesmo dia da liquidação, durante a Operação Compliance Zero, chegou a responder em liberdade com medidas cautelares e foi preso novamente no começo de março. As investigações também alcançaram outras instituições e servidores, ampliando o peso político e financeiro do caso.
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A decisão da Segunda Turma mantém o banqueiro sob custódia justamente quando a investigação entra em uma fase mais delicada, entre a consolidação da prisão, a pressão por colaboração premiada e a tentativa de destrinchar a rede de relações financeiras e institucionais que orbitava o Banco Master.