Gestão: Liderança que transforma

Gestão: Liderança que transforma
Líderes que insistem em “como sempre foi feito” não percebem que estão sabotando o futuro de seus escritórios/Freepik
Publicado em 25/02/2025 às 7:57

Paulo Silvestre de Oliveira Junior*

Quantas vezes você já participou de reuniões para “promover inovação”, apenas para sair com as mesmas práticas de sempre? O problema não é a falta de ideias ou ferramentas. É a falta de líderes dispostos a colocar a transformação em prática. E aqui está a verdade, o maior obstáculo à inovação nos escritórios de advocacia não são os times, nem a tecnologia. São os líderes.

Sim, os líderes. Aqueles que deveriam impulsionar a mudança, mas muitas vezes se tornam os primeiros a resistir. Isso acontece porque liderar em tempos de transformação exige algo que vai além do conhecimento técnico ou anos de experiência, exige coragem para mudar o próprio comportamento e abandonar o conforto do controle.

No entanto, enquanto escritórios se vendem como “modernos”, muitos líderes ainda operam com uma mentalidade ultrapassada – aversão a riscos, decisões centralizadoras e desconfiança dos times. Essa abordagem não apenas sufoca a inovação, mas também envia uma mensagem clara – a de que a hierarquia importa mais do que a colaboração. E aqui está o paradoxo: ao tentar manter o controle, esses líderes acabam perdendo o que mais importa – o respeito e a confiança de seus times.

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O jurídico tem resistido à inovação por décadas. A precisão exigida nos serviços jurídicos, combinada com estruturas hierárquicas rígidas, criou uma cultura onde o erro é visto como inaceitável. Porém, é justamente essa mentalidade que impede a experimentação e, por consequência, a inovação.

Líderes que insistem em “como sempre foi feito” não percebem que estão sabotando o futuro de seus escritórios. Enquanto isso, os concorrentes mais ágeis – startups jurídicas e escritórios com lideranças visionárias – estão redefinindo as regras do jogo.

A questão é, por que tantos líderes resistem? A resposta está no medo. Medo de perder autoridade, de errar publicamente ou de lidar com o desconforto da mudança. Mas aqui está outra verdade, manter o controle a qualquer custo é o caminho mais rápido para a irrelevância.

A liderança transformadora exige mais do que discursos inspiradores; ela exige ação. Líderes que realmente impulsionam a inovação têm três características em comum:

Admitir que não sabem tudo: O líder transformador não precisa ter todas as respostas – ele precisa saber fazer as perguntas certas. Essa humildadecria um ambiente onde os times se sentem valorizadas e confiantes para propor soluções.

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Aceitar o erro como parte do processo: Inovação e erro andam de mãos dadas. Líderes que punem falhas inadvertidamente punem também a criatividade. O aprendizado contínuo é o alicerce de qualquer transformação.

Colocar o cliente e o time no centro: Um líder que prioriza clientes e times cria soluções relevantes e sustentáveis. A inovação não é sobre impressionar o mercado, mas sobre entregar valor real.

Exemplos de liderança em ação

Um escritório médio enfrentava problemas de desmotivação e baixa autonomia. O líder decidiu implementar um sistema de sugestões aberto, onde qualquer colaborador podia propor melhorias diretamente à gestão. Em menos de um ano, a eficiência operacional aumentou em 40%, e o time se sentiu mais engajada.

Em outro caso, um sócio de um grande escritório começou a usar pessoalmente um novo sistema de automação para tarefas administrativas. Ao demonstrar interesse e se comprometer com a tecnologia, ele inspirou todo o time a adotar a ferramenta – algo que antes era visto com resistência.

Um escritório boutique criou um “laboratório de inovação” com um orçamento específico para que advogados experimentassem novas abordagens em seus casos. Esse ambiente de experimentação gerou soluções práticas que foram rapidamente incorporadas ao dia a dia.

Ser um líder transformador não é fácil. A pressão para manter a excelência técnica, combinada com a expectativa de resultados imediatos, cria um ambiente que desestimula a mudança.No entanto, é justamente nessas condições que os grandes líderes se destacam. Eles entendem que a transformação é um processo contínuo e que pequenos passos consistentes são mais eficazes do que grandes gestos isolados.

Líderes que priorizam o engajamento do time e criam um ambiente onde a experimentação é incentivada estão pavimentando o caminho para o futuro. Aqueles que não o fazem correm o risco de serem ultrapassados.

O maior teste de um líder não é sua capacidade de controlar, mas sua disposição para transformar. Isso significa abrir mão do ego, ouvir mais do que falar e permitir que o erro seja um passo necessário no caminho para o sucesso.

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Se você, como líder, ainda não está criando um ambiente onde a experimentação e o aprendizado sejam incentivados, está travando o progresso do seu escritório. No ritmo em que o mercado jurídico avança, ficar parado é o mesmo que retroceder.

A pergunta que fica é, você está pronto para liderar o futuro? Ou continuará preso a um modelo que já não serve mais? Porque liderança não é sobre autoridade – é sobre impacto. E o impacto duradouro de um líder está na transformação que ele promove, tanto nos processos quanto nas pessoas.

*Paulo Silvestre de Oliveira Junior é especialista em desenvolvimento estratégico e inovação no setor jurídico, com mais de 14 anos de experiência em liderar projetos transformadores para departamentos jurídicos e escritórios de advocacia. Graduado em Gestão Estratégica pelo IBTA, possui especializações em Business Innovation e um MBA em Segurança da Informação pela FIAP, além de formação em Inovação Corporativa e Estratégia Digital pelo MIT. É o criador do Generative AI-Centric Law Firm Model, framework pioneiro que orienta a adoção estratégica de IA generativa por escritórios de advocacia e hoje é uma referência global. Atualmente, atua como Diretor de Inovação e Desenvolvimento no Buttini Moraes Advogados e é fundador da Absense Tecnologia e da IT Legal Experts – Innovation & Technology. Autor de “Direito em Transformação – Estratégia e Inovação para Advogados”, Paulo é reconhecido por integrar tecnologia e estratégia para impulsionar a inovação no Direito, inspirando escritórios ao redor do mundo a transformar suas operações.

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