Gaza: quando a morte é negócio, a paz é prejuízo

Gaza: quando a morte é negócio, a paz é prejuízo
"O Hamas negou que tenha rejeitado as negociações para a liberação dos reféns e considera que o governo de Israel usa pretextos falsos para justificar o retorno à guerra"/Pixabay
Publicado em 21/03/2025 às 7:27

José Renato Ferraz da Silveira*

Na quarta-feira (19), centenas de pessoas foram mortas na Faixa de Gaza, incluindo mais de 130 crianças, informou o Fundo das Nações Unidas para infância (Unicef).A Guerra transforma Gaza em cemitério: mais de 16 mil crianças mortas.

A diretora-geral da Unicef, Catherine Russell, afirmou: “Hoje um milhão de crianças em Gaza – que já suportam 15 meses de Guerra – foram mergulhadas novamente em um cenário de medo e morte. Os ataques e a violência precisam parar agora”.

Na última terça (18), Israel retomou ostensivos ataques contra Gaza após quase 2 meses de um cessar-fogo relativo. De acordo com o Ministério da Saúde local, os bombardeios mataram mais de 400 pessoas, incluindo mais de 100 crianças.

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O Ministro de Defesa de Israel, Israel Katz, ameaçou na quarta-feira, pelas redes sociais os moradores civis da Faixa de Gaza que destruirão toda a região, caso a população não remova o Hamas e não entregue os reféns israelenses.

O Hamas negou que tenha rejeitado as negociações para a liberação dos reféns e considera que o governo de Israel usa pretextos falsos para justificar o retorno à guerra.

Na realidade, já ficou muito claro que o objetivo do atual governo de Israel nunca foi acabar com o terrorismo do Hamas e tampouco recuperar os reféns. A ideia é a destruição (o extermínio) dos palestinos e tomar a região para a construção do que eles consideram ser o “Grande Israel Bíblico”.

Enquanto o genocídio persiste em Gaza, as rendas totais de três empresas sediadas em Israel foram de 13,6 bilhões de dólares (desde o início da Guerra). É o maior faturamento registrado pelas empresas israelenses presentes no ranking da Sipri (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo).

“Os fabricantes do Oriente Médio viram o seu número multiplicar-se e as atividades atingirão níveis sem precedentes”, confirma Diego Lopes da Silva, pesquisador-chefe da Sipri.

Vale destacar, por fim, que as empresas israelenses de fabricação de armas estão registrando numerosas outras encomendas precisamente porque Gaza voltou a estar sob ataque (e é um local em que as armas, as munições estão sob “teste real”). Portanto, os conflitos alimentam a renda dos fabricantes de armas.

Em 2023, as cem maiores empresas do setor de armamentos e serviços relacionados a militares registraram um aumento de 4,2% nas receitas (quantificadas em 632 bilhões de dólares) em relação ao ano anterior, com fortes aumentos especialmente para os fabricantes sediados na Rússia e no Oriente Médio.

Não há dúvida de que cessar-fogo e tratativas de paz não agradam aos mercadores da Morte. A desumanidade de nosso tempo degradou e brutalizou a linguagem abaixo de qualquer precedente.

*José Renato Ferraz da Silveira é professor Associado IV do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM. Doutor e Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP. Graduação em Relações Internacionais pela PUC-SP. Graduação em História pela ULBRA. Líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP). Editor-chefe da Revista InterAção (Qualis A-2).

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