Fórum Econômico Mundial começa em Davos com foco em diálogo e cooperação

Fórum Econômico Mundial começa em Davos com foco em diálogo e cooperação
Vista de Davos durante a abertura do Fórum Econômico Mundial, que reúne líderes políticos e empresariais para discutir cooperação internacional e desafios globais/World Economic Forum/CHeeney
Publicado em 20/01/2026 às 6:00

Da redação de LexLegal

Teve início em Davos, na Suíça, o Fórum Econômico Mundial, que há 55 anos reúne chefes de Estado, autoridades governamentais e dirigentes das principais empresas globais para discutir os rumos da economia, da política internacional e da inovação. O evento segue até o dia 23 e, em 2026, tem como tema “Um Espírito de Diálogo”, com a proposta de estimular a cooperação entre governos, setor privado e organizações da sociedade civil em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e desafios econômicos persistentes.

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De acordo com a organização, o fórum contará com a presença de mais de 3 mil delegados de mais de 130 países, incluindo 64 chefes de Estado e de governo. O encontro consolida-se como um dos principais espaços de articulação política e econômica global, onde são discutidas agendas que vão desde crescimento sustentável até transformação digital e mudanças climáticas.

O Brasil será representado pela ministra da Gestão e da Inovação dos Serviços Públicos, Esther Dweck. Ela participará de painéis e reuniões voltados à cooperação internacional em políticas públicas e inovação governamental, com destaque para sua presença no Global Digital Collaboration (GDC), grupo que reúne governos, empresas, organismos internacionais e representantes da sociedade civil para debater soluções digitais aplicadas à administração pública.

A participação no GDC ocorre em um momento em que governos ampliam o uso de tecnologia para modernizar serviços, reduzir burocracias e ampliar a eficiência administrativa. O grupo discute desde infraestrutura digital até governança de dados e inclusão tecnológica, temas que se tornaram centrais no debate sobre a transformação do Estado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já esteve presente em edições anteriores do Fórum Econômico Mundial, não participará do encontro neste ano. A ausência ocorre em um contexto de priorização de agendas internas e regionais, embora o Brasil mantenha representação institucional em debates estratégicos realizados no evento.

Paralelamente à abertura do fórum, a Oxfam Brasil divulgou um relatório que reforça o contraste entre crescimento econômico e desigualdade social no mundo. Segundo o estudo, a riqueza dos bilionários cresceu mais de 16% em 2025, ritmo três vezes superior à média registrada nos últimos cinco anos, alcançando o montante recorde de US$ 18,3 trilhões.

O documento aponta que, desde 2020, a riqueza acumulada por bilionários aumentou 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas no mundo não tem acesso regular a alimentos suficientes e quase metade da população global vive em situação de pobreza. O relatório destaca ainda que o crescimento de US$ 2,5 trilhões na riqueza coletiva entre 2024 e 2025 seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.

Os dados divulgados pela Oxfam costumam influenciar os debates realizados em Davos, ao pressionar líderes políticos e empresariais a discutir mecanismos de redução das desigualdades, tributação progressiva e políticas de redistribuição de renda. Em um fórum voltado à cooperação internacional, esses números reforçam o contraste entre o avanço da concentração de riqueza e a persistência de carências básicas em grande parte do planeta.

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A edição deste ano do Fórum Econômico Mundial ocorre sob a expectativa de que o discurso de diálogo se traduza em compromissos concretos, em especial nas áreas de justiça social, transformação digital e desenvolvimento sustentável, temas que permanecem no centro das disputas políticas e econômicas globais.

SÃO PAULO WEATHER