Focus eleva previsão da Selic para 12,13% em 2026, mostra Banco Central

Da redação de LexLegal
Economistas consultados pelo Banco Central elevaram a projeção para a taxa básica de juros do Brasil ao fim de 2026. A estimativa da Selic subiu de 12,00% para 12,13%, segundo o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira.
Leia também: Petróleo ultrapassa US$ 100 com novo líder no Irã e bombardeios em Teerã
O Focus é um levantamento semanal feito pelo Banco Central com projeções de bancos, corretoras e consultorias econômicas. O relatório reúne expectativas para inflação, juros, câmbio e crescimento da economia.
A Selic é a taxa básica de juros do país. Ela serve como referência para financiamentos, empréstimos e aplicações financeiras. Quando está alta, o crédito tende a ficar mais caro e a economia desacelera.
A nova projeção considera principalmente as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis. Nesse grupo mais recente de previsões, a mediana também passou de 12,00% para 12,13%.
Para 2027, a expectativa para os juros permaneceu em 10,50%. Esse nível aparece nas projeções há mais de um ano e indica que o mercado vê uma queda gradual da taxa após o atual ciclo de aperto monetário.
As projeções de longo prazo também ficaram estáveis. Para 2028, a estimativa da Selic permanece em 10,00%. Para 2029, a previsão continua em 9,50%.
A taxa Selic está atualmente em 15% ao ano. O patamar foi mantido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central nas últimas decisões.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse a ata da decisão.
A expressão política monetária se refere ao conjunto de medidas usadas pelo Banco Central para controlar a inflação. Uma delas é justamente alterar a taxa de juros.
Quando os juros sobem, o consumo e o crédito tendem a cair, o que ajuda a conter a alta de preços. Quando os juros caem, o objetivo costuma ser estimular a atividade econômica.
No caso da inflação, o relatório Focus manteve praticamente estável a projeção para 2026. A estimativa do IPCA, índice oficial de inflação do país, ficou em 3,91%.
O IPCA é calculado pelo IBGE e mede a variação de preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias. Ele serve como referência para a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional.
A meta atual é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação pode variar entre 1,5% e 4,5% sem que o Banco Central seja considerado fora do objetivo.
Para 2027, a previsão de inflação subiu levemente de 3,79% para 3,80%. As projeções para 2028 e 2029 permanecem em 3,50%.
Os dados também mostram expectativas para o dólar. A previsão para a moeda americana ao fim de 2026 caiu de R$ 5,42 para R$ 5,41.
A estimativa para o câmbio de 2027 segue em R$ 5,50. Para 2028 e 2029, as projeções também permanecem próximas desse nível.
O dólar terminou 2025 cotado a R$ 5,48. A valorização do real no período foi associada ao enfraquecimento global da moeda americana e ao diferencial de juros entre o Brasil e outros países.
Esse diferencial estimula operações conhecidas como carry trade. Nesse tipo de estratégia, investidores captam recursos em países com juros baixos e aplicam em mercados com taxas mais altas.
O relatório Focus também trouxe estimativas para o crescimento da economia. A previsão para o Produto Interno Bruto do Brasil em 2026 permaneceu em 1,82%.
O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Ele é o principal indicador usado para medir o tamanho e o ritmo da economia.
Para 2027, a expectativa de crescimento segue em 1,80%. Já para 2028 e 2029, o mercado continua projetando expansão de 2% ao ano.
Veja também: Gilmar Mendes cobra explicações do MP-RJ sobre pagamento de penduricalhos
O Banco Central também divulgou projeções próprias para a inflação. Segundo a autoridade monetária, o IPCA deve fechar 2026 em torno de 3,4%.
No horizonte considerado mais relevante para a política monetária, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027, a expectativa da instituição é que a inflação fique próxima de 3,2%.