FGC inicia pagamento a clientes do Banco Master após liquidação da instituição

FGC inicia pagamento a clientes do Banco Master após liquidação da instituição
© Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em 18/01/2026 às 15:30

Da redação de LexLegal

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou o pagamento aos clientes do Banco Master que possuíam aplicações financeiras na instituição, liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado após a identificação de fraudes e da incapacidade de honrar seus compromissos. A medida marca o início da fase prática de ressarcimento aos investidores atingidos pela quebra do banco e mobiliza um dos maiores processos de cobertura já conduzidos pela entidade.

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O FGC é uma entidade privada mantida por contribuições das próprias instituições financeiras, criada para proteger depositantes e investidores em caso de intervenção, liquidação ou falência de bancos. O mecanismo funciona como uma espécie de seguro do sistema financeiro, garantindo a devolução de valores aplicados até um determinado limite. No caso do Banco Master, a cobertura segue o teto legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por conglomerado financeiro, incluindo tanto o principal investido quanto os rendimentos acumulados até a data da decretação da liquidação.

O ressarcimento alcança diferentes modalidades de aplicações, como contas-correntes, poupança, Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Recibos de Depósito Bancário (RDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), Letras de Câmbio (LCDs) e outros produtos financeiros protegidos pelo sistema de garantia. Isso significa que a maioria dos investimentos tradicionais oferecidos pelo banco está coberta, desde que respeitado o limite máximo estabelecido.

Para viabilizar os pagamentos, o FGC disponibilizou uma nova funcionalidade em seu aplicativo para celulares, por meio da qual pessoas físicas credoras do Banco Master, do Master de Investimento e do Letsbank podem concluir a solicitação da garantia. Já as pessoas jurídicas devem realizar o procedimento exclusivamente pelo site da entidade. Após o preenchimento das informações e a assinatura do termo de sub-rogação, o FGC se compromete a efetuar o pagamento em até dois dias úteis.

A sub-rogação é um passo jurídico essencial no processo. Ao receber os valores garantidos, o investidor transfere ao FGC o direito de cobrar posteriormente o banco liquidado na massa falida, dentro do processo de liquidação conduzido pelo Banco Central e pela Justiça. Assim, o fundo passa a ocupar a posição de credor em relação aos valores pagos aos clientes, buscando eventual recuperação de recursos no futuro.

A lista de credores habilitados ao ressarcimento foi consolidada e conferida pelo Banco Central, responsável pela supervisão do sistema financeiro e pela condução do processo de liquidação do Banco Master. Segundo os dados divulgados, cerca de 800 mil clientes devem ser ressarcidos, em um montante total que pode chegar a R$ 40,6 bilhões. O número é inferior às estimativas iniciais, que projetavam até 1,6 milhão de investidores afetados pela quebra da instituição.

O volume financeiro envolvido ilustra a dimensão do colapso do Banco Master e o impacto sistêmico que a liquidação de uma instituição desse porte pode provocar. O acionamento do FGC é justamente um dos mecanismos criados para evitar que situações desse tipo gerem pânico no mercado ou comprometam a confiança no sistema bancário como um todo.

Em comunicado oficial, o FGC fez um alerta importante aos investidores. A entidade informou que não autoriza nem credencia qualquer tipo de empresa ou intermediário para negociar o recebimento dos valores garantidos. Também ressaltou que não solicita pagamento de taxas, depósitos antecipados ou qualquer outro tipo de contrapartida financeira para liberar os recursos.

Além disso, o fundo esclareceu que não entra em contato com os credores por meio de WhatsApp, SMS ou mensagens instantâneas. Todos os procedimentos devem ser realizados exclusivamente pelos canais oficiais, como o aplicativo e o site institucional. O alerta é uma tentativa de prevenir golpes e fraudes que costumam se multiplicar em momentos de grande mobilização financeira, como no caso de ressarcimentos em massa.

Do ponto de vista jurídico e regulatório, a atuação do FGC neste episódio reforça o papel central do sistema de garantias na estrutura do mercado financeiro brasileiro. A existência de um fundo privado, mantido pelas próprias instituições bancárias, reduz a necessidade de aportes diretos do Tesouro Nacional em situações de crise e ajuda a preservar a estabilidade do sistema.

Ao mesmo tempo, a liquidação do Banco Master e a necessidade de mobilizar dezenas de bilhões de reais para ressarcir investidores reacendem o debate sobre a eficácia dos mecanismos de supervisão, a responsabilidade das instituições financeiras e os limites do próprio modelo de proteção ao investidor. Embora o FGC assegure a restituição até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, valores acima desse teto permanecem sujeitos ao longo e incerto processo de liquidação judicial.

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Na prática, o início dos pagamentos representa um alívio para centenas de milhares de clientes que tiveram seus recursos bloqueados desde a intervenção do Banco Central. Para muitos, trata-se de uma recomposição essencial de patrimônio e de liquidez, especialmente em um contexto econômico marcado por juros elevados e maior custo de crédito.

SÃO PAULO WEATHER