Ferramenta com IA gratuita ajuda trabalhadores a entender direitos e acompanhar processos na Justiça do Trabalho

Da redação de LexLegal
Em um cenário marcado por frequentes disputas trabalhistas e alta rotatividade no mercado de trabalho, a desinformação ainda é um obstáculo para milhões de brasileiros. Apesar do volume expressivo de ações na Justiça do Trabalho, muitos trabalhadores desconhecem seus próprios direitos ou sequer sabem como consultar um processo. Para enfrentar esse problema, foi criada a ferramenta digital gratuita Getúlio AI, que utiliza inteligência artificial para simplificar o acesso a informações sobre processos trabalhistas e esclarecer dúvidas básicas sobre demissão, estabilidade e verbas rescisórias.
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A proposta do sistema é oferecer uma interface simples e de graça para trabalhadores consultarem o andamento de ações trabalhistas em que sejam parte, além de entenderem o que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê em casos comuns como desligamentos, vínculos informais ou ausência de registro em carteira.
Segundo os idealizadores do projeto, a ferramenta visa “traduzir o juridiquês para a linguagem do povo”, facilitando a compreensão de termos técnicos que costumam afastar a população do sistema judiciário. A plataforma pode ser acessada online, sem necessidade de cadastro. O usuário informa o CPF ou número do processo, e o sistema apresenta dados como audiências agendadas, valores em discussão, decisões judiciais e movimentações mais recentes. Também é possível receber alertas por e-mail ou WhatsApp.
A proposta ganhou notoriedade justamente por tentar preencher lacunas de informação entre o cidadão comum e o funcionamento da Justiça do Trabalho. Dúvidas frequentes, como “O que recebo se for demitido?”, “Tenho estabilidade?” ou “Como acompanho meu processo?”, são respondidas com base em legislação e jurisprudência. A ferramenta também orienta usuários que ainda não moveram ações, mas desejam entender se têm direito a alguma reparação.
O nome Getúlio faz referência ao presidente Getúlio Vargas, responsável pela criação da CLT em 1943 — o que reforça o vínculo simbólico com os direitos trabalhistas. A escolha, no entanto, não altera o propósito técnico da ferramenta, que não atua como representante legal, tampouco substitui o trabalho de advogados.
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Especialistas observam que iniciativas como essa refletem uma tendência de uso da tecnologia para reduzir assimetrias no acesso à Justiça, especialmente em contextos marcados por informalidade e desinformação. Embora o uso de inteligência artificial em plataformas jurídicas ainda suscite debates sobre limites e precisão, ferramentas de apoio à consulta pública ganham espaço em tempos de sobrecarga do Judiciário e expansão da digitalização.