Fazenda reduz projeção do PIB de 2025 e aponta efeito dos juros altos

Da redação de LexLegal
O Ministério da Fazenda revisou para baixo a projeção de expansão da economia brasileira em 2025. A estimativa passou de 2,3% para 2,2%, segundo o Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). O ajuste reflete a perda de ritmo da atividade no terceiro trimestre e o impacto contínuo da política de juros elevados, que reduz crédito e consumo.
Leia também: Júri de Monique Medeiros e Dr. Jairinho é marcado para março de 2026 no caso Henry Borel
A SPE também atualizou a projeção para a inflação. A expectativa para o IPCA caiu de 4,8% para 4,6%, mas o índice deve terminar 2025 acima do teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%. Para 2026, o ministério prevê inflação de 3,5% — antes, a estimativa era de 3,6%. A pasta projeta convergência para 3,2% somente no segundo trimestre de 2027.
Em relação aos setores da economia, a agropecuária foi a única área com melhora nas previsões, passando de crescimento estimado de 8,3% para 9,5%. A indústria recuou de 1,4% para 1,3%, e o setor de serviços caiu de 2,1% para 1,9%. Mesmo com mercado de trabalho ainda aquecido, o boletim aponta redução no número de trabalhadores ocupados e ganho de renda menor no terceiro trimestre.
O documento também destaca o peso do cenário internacional. Entre agosto e outubro, as exportações brasileiras para os Estados Unidos diminuíram US$ 2,5 bilhões, uma queda de 24,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. O boletim atribui o recuo às tarifas aplicadas pelos EUA sobre produtos brasileiros e afirma que o governo trabalha para ampliar mercados e apoiar o setor exportador. A SPE menciona que o diálogo entre os presidentes dos dois países pode ajudar a reduzir barreiras comerciais.
Veja também: Justiça mantém prisão de Daniel Vorcaro e PF mira fraudes bilionárias no Banco Master
A projeção para o INPC — índice que corrige o salário mínimo — foi revista de 4,7% para 4,5%. Já o IGP-DI passou de 2,6% para 1,4%, influenciado sobretudo pela queda do dólar. Esses índices influenciam a elaboração do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, que orienta bloqueios e contingenciamentos usados para manter as contas dentro do limite do arcabouço fiscal.