Exportação de café cai em volume, mas receita bate recorde histórico em 2025

Exportação de café cai em volume, mas receita bate recorde histórico em 2025
Valorização do café no mercado internacional impulsionou receita recorde das exportações brasileiras em 2025/Marcello Casal jr/Agência Brasil
Publicado em 21/01/2026 às 8:00

Da redação de LexLegal

O Brasil exportou 40,04 milhões de sacas de 60 quilos de café em 2025, volume 20,8% menor do que o registrado no ano anterior. Mesmo com a retração física, a receita obtida com as vendas externas alcançou um patamar inédito: US$ 15,586 bilhões, alta de 24,1% na comparação com 2024. Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e mostram que o valor gerado pelo produto compensou com folga a queda nas quantidades embarcadas.

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Segundo o Cecafé, esse é o maior faturamento da série histórica iniciada em 1990. Em 2025, o café brasileiro foi exportado para 121 países, mantendo o Brasil como principal fornecedor mundial da commodity, ainda que em um cenário marcado por restrições climáticas, custos logísticos elevados e tensões comerciais internacionais.

Para o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho financeiro recorde decorre da valorização do produto no mercado internacional e do padrão de qualidade alcançado pelo setor. “Tivemos médias mensais de preço maiores em 2025 e nossos cafeicultores, bem organizados, mantêm seus investimentos em tecnologia, inovação e qualidade, o que eleva o patamar dos cafés do Brasil e, consequentemente, o seu valor. Não à toa, somos a única origem do mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global”, afirmou.

A redução no volume exportado, de acordo com Ferreira, já era esperada e tem origem em fatores combinados. “Exportamos um volume histórico em 2024, reduzindo o montante de café armazenado no país, e a safra do ano passado foi impactada pelo clima, combinação que culminou na limitação da disponibilidade do produto”, explicou. Assim, mesmo com forte demanda externa, a menor oferta interna impôs limites naturais ao ritmo de embarques.

Outro fator relevante para a queda de volume foi o impacto do chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos. Ferreira destacou que as sobretaxas de 50% aplicadas ao café brasileiro afetaram diretamente os fluxos comerciais. “Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, entre o começo de agosto e o fim de novembro – vale lembrar que o solúvel ainda segue taxado –, nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas”, disse.

No ranking dos principais destinos, a Alemanha assumiu a liderança em 2025, com a compra de 5,4 milhões de sacas. Apesar da posição, o volume representou queda de 28,8% em relação ao ano anterior e correspondeu a 13,5% do total exportado pelo Brasil. Os Estados Unidos, tradicionalmente o maior comprador, caíram para a segunda colocação. O país importou 5,3 milhões de sacas, equivalentes a 13,4% do total, com retração de 33,9% na comparação com 2024, reflexo direto das tarifas adicionais impostas no período.

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A composição das exportações por tipo de café manteve o padrão histórico. O café arábica liderou com 32,3 milhões de sacas, o que representa 80,7% do total. Na sequência veio o café canéfora, que engloba conilon e robusta, com 3,9 milhões de sacas, equivalente a 10%. O café solúvel respondeu por 3,6 milhões de sacas, ou 9,2% das exportações, enquanto o segmento de café torrado e torrado e moído somou 58.474 sacas, participação residual de 0,1%.

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