Expectativa de vida no Brasil atinge recorde histórico de 76,6 anos

Expectativa de vida no Brasil atinge recorde histórico de 76,6 anos
O aumento da expectativa de vida amplia desafios para a Previdência, para o sistema de saúde e para as políticas de cuidado de longo prazo, ao mesmo tempo em que reflete ganhos estruturais na qualidade de vida da população/Agência Brasil
Publicado em 18/01/2026 às 16:00

Da redação de LexLegal

A expectativa de vida ao nascer no Brasil chegou a 76,6 anos em 2024, o maior valor já registrado desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1940. O dado representa uma retomada e consolidação da trajetória de crescimento da longevidade no país após o impacto da pandemia de covid-19 e supera o índice de 2023, que havia sido de 76,4 anos. A informação integra a Tábua de Mortalidade divulgada nesta sexta-feira (28) pelo instituto, documento que serve como base para políticas públicas, planejamento previdenciário e estudos demográficos.

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A expectativa de vida ao nascer indica quantos anos uma pessoa viveria, em média, caso os padrões de mortalidade observados no período se mantivessem ao longo de toda a sua vida. Em termos históricos, o avanço é expressivo. Em 1940, o brasileiro tinha expectativa de viver apenas 45,5 anos. Em pouco mais de oito décadas, o ganho foi de 31,1 anos, refletindo transformações profundas nas condições de saúde, saneamento, acesso à renda, escolaridade e políticas públicas de proteção social.

No cenário internacional, o Brasil ainda está distante dos países com maior longevidade, como Mônaco (86,5 anos), San Marino (85,8), Hong Kong (85,6), Japão (84,9) e Coreia do Sul (84,4). Mesmo assim, o avanço contínuo mostra a convergência gradual do país aos padrões de longevidade observados em economias mais desenvolvidas.

O IBGE aponta que a evolução da expectativa de vida no Brasil segue uma tendência de crescimento de longo prazo, com uma ruptura pontual durante a pandemia. Em 2019, a esperança de vida era de 76,2 anos, mas caiu para 74,8 em 2020 e despencou para 72,8 em 2021, no auge da crise sanitária. Desde então, o indicador se recupera de forma consistente: subiu para 75,4 anos em 2022, 76,4 em 2023 e chegou a 76,6 em 2024. O movimento revela o efeito direto da mortalidade associada à covid-19 e a posterior normalização dos padrões demográficos.

Outro aspecto estrutural revelado pela Tábua de Mortalidade é a diferença entre homens e mulheres. Em 2024, a expectativa de vida feminina foi de 79,9 anos, enquanto a masculina ficou em 73,3 anos. Isso significa que, em média, as mulheres vivem 6,6 anos a mais do que os homens. Em 1940, essa diferença era de 5,4 anos, a menor já registrada. O maior hiato ocorreu no ano 2000, quando chegou a 7,8 anos.

O IBGE também destaca o fenômeno da sobremortalidade masculina, indicador que mede o quanto os homens morrem mais do que as mulheres em determinadas faixas etárias. Em 2024, entre 20 e 24 anos, a taxa masculina foi 4,1 vezes maior do que a feminina. No grupo de 15 a 19 anos, o índice foi de 3,4, e entre 25 e 29 anos, de 3,5. Na prática, isso significa que um homem de 20 anos tinha 4,1 vezes mais chance de não chegar aos 25 anos do que uma mulher da mesma idade.

Ao explicar essa desigualdade, o IBGE associa o fenômeno ao processo histórico de urbanização e metropolização do país e ao crescimento das chamadas causas externas de morte. “A partir dos anos 1980, as mortes associadas às causas externas ou não naturais (homicídios, suicídios, acidentes de trânsito etc.) passaram a elevar as taxas de mortalidade da população, particularmente dos adultos jovens do sexo masculino”, afirma o instituto.

A Tábua de Mortalidade também detalha como a expectativa de vida varia ao longo das idades. Em 2024, uma pessoa que alcança os 60 anos tem, em média, mais 22,6 anos de vida pela frente. Para os homens, esse número é de 20,8 anos, e para as mulheres, de 24,2 anos. Em 1940, quem chegava aos 60 anos podia esperar viver apenas mais 13,2 anos. Já aos 80 anos, a expectativa adicional de vida em 2024 era de 9,5 anos para as mulheres e 8,3 anos para os homens, quase o dobro do observado na década de 1940.

Esses dados têm impacto direto sobre o sistema previdenciário. A Tábua de Mortalidade é uma das principais referências para o cálculo do fator previdenciário, utilizado na definição do valor das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Quanto maior a expectativa de vida, maior tende a ser o tempo estimado de pagamento dos benefícios, o que influencia o equilíbrio financeiro do sistema e a formulação de reformas previdenciárias.

Outro indicador central apresentado pelo IBGE é a mortalidade infantil, que mede o número de óbitos de crianças com menos de um ano de idade a cada mil nascidos vivos. Em 2024, a taxa foi de 12,3 por mil, ligeiramente menor do que em 2023, quando havia sido de 12,5, mas ainda acima do patamar observado em 2000, de 11,4. Apesar disso, a melhora estrutural é inegável: em 1940, a mortalidade infantil era de 146,6 por mil, o que significa que quase 15% das crianças morriam antes de completar um ano.

A trajetória de queda é clara ao longo das décadas: 117,7 em 1960, 69,1 em 1980, 28,1 em 2000, 11,4 em 2020, 12,5 em 2023 e 12,3 em 2024. Para o IBGE, essa redução está diretamente ligada à ampliação de políticas públicas de saúde. “Também contribuíram para a diminuição desse fatídico indicador os aumentos da renda, da escolaridade e do número de domicílios com acesso a serviços de saneamento adequado”, afirma o instituto. O órgão também destaca o papel das campanhas de vacinação, do pré-natal, do aleitamento materno, da atuação de agentes comunitários de saúde e de programas de nutrição infantil.

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Os dados de 2024 revelam, portanto, um país que envelhece de forma acelerada e que precisa adaptar suas políticas públicas a uma nova realidade demográfica. O aumento da expectativa de vida amplia desafios para a Previdência, para o sistema de saúde e para as políticas de cuidado de longo prazo, ao mesmo tempo em que reflete ganhos estruturais na qualidade de vida da população.

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