Ex-PM é condenado a 32 anos de prisão por assassinato de Fernando Iggnácio

Ex-PM é condenado a 32 anos de prisão por assassinato de Fernando Iggnácio
© Divulgação/TJRJ
Publicado em 11/04/2026 às 14:53

Da redação de LexLegal

O 1° Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou o ex-policial militar Rodrigo da Silva das Neves pela execução do contraventor Fernando Iggnácio. A sentença, proferida nesta sexta-feira, fixou a pena em 32 anos, nove meses e 18 dias de reclusão em regime fechado.

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O conselho de sentença reconheceu que o homicídio foi triplamente qualificado, cometido por motivo torpe, meio cruel e mediante emboscada. Iggnácio foi morto em 2020 no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, logo após desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis.

Arsenal de fuzis na casa de réu reforça papel central em execução

A decisão judicial destacou o perfil de alta periculosidade do condenado. Durante as investigações, a polícia encontrou quatro fuzis e farta munição no apartamento de Rodrigo. O juiz Thiago Portes Vieira de Souza afirmou que o armamento demonstra o papel central do acusado na emboscada.

Ao sentenciar o ex-PM, o magistrado ressaltou que ele era agente da ativa na época do crime e usou a expertise técnica da corporação para o crime. “No interior do apartamento do acusado, foram apreendidos quatro fuzis, carregadores, vasta quantidade de munições, conforme o auto de apreensão, a demonstrar o papel central do acusado na execução da emboscada que culminou na morte da vítima.”

Guerra pelo espólio de Castor de Andrade soma 50 mortes

O assassinato de Iggnácio é mais um capítulo da sangrenta disputa pelo controle do jogo do bicho no Rio, iniciada após a morte do patriarca Castor de Andrade. O magistrado destacou que o réu “optou por praticar conduta que deveria reprimir, utilizando-se, inclusive, de seus conhecimentos policiais adquiridos no exercício da função, para efetivar o crime.”

Enquanto Rodrigo foi condenado, o processo contra os irmãos Pedro e Otto Cordeiro foi adiado após eles dispensarem seus advogados no início da sessão. Rogério de Andrade, apontado como mandante e sobrinho de Castor, responde em um processo separado sobre o caso.

A rivalidade entre as famílias de Rogério de Andrade e Fernando Iggnácio, casado com a filha de Castor, já dura quase três décadas e deixou um rastro de mais de 50 mortos. A disputa envolve pontos de contravenção e máquinas de caça-níqueis na zona oeste carioca.

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O veredito de hoje encerra a primeira etapa jurídica contra os executores diretos de um dos crimes de maior repercussão na história recente da contravenção fluminense. Com a condenação de Rodrigo, o Judiciário aguarda agora a definição das novas datas para os julgamentos dos demais envolvidos e o desfecho do processo contra a cúpula do bando.

SÃO PAULO WEATHER