Ex-diretor da PRF nega blitzes ilegais para barrar eleitores no Nordeste

Ex-diretor da PRF nega blitzes ilegais para barrar eleitores no Nordeste
Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF, prestou depoimento no STF e negou ter ordenado operações ilegais nas eleições de 2022/Lula Marques/ Agência Brasil
Publicado em 25/07/2025 às 12:30

Da redação de LexLegal

O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques negou ter ordenado operações ilegais no Nordeste que poderiam ter prejudicado o deslocamento de eleitores do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva durante o segundo turno das eleições de 2022. Vasques é réu no chamado núcleo 2 da ação penal que investiga a trama golpista e foi interrogado pelo juiz Rafael Tamai, magistrado auxiliar do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

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As investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontam que Vasques teria dado ordens para a realização de blitzes da PRF no dia 30 de outubro de 2022 com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores, sobretudo no Nordeste — região onde Lula obteve a maior votação em relação ao então presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro.

Em depoimento, Silvinei Vasques alegou que o objetivo das operações era coibir crimes eleitorais, como transporte irregular de eleitores e bloqueios em rodovias, e não prejudicar especificamente a base eleitoral de Lula. Ele negou qualquer ordem do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, também réu no caso e a quem a PRF era subordinada, para a execução de blitzes ilegais.

“Tudo que a gente recebeu de determinação, eu entendi que a gente deveria acatar. Eu entendo que era o dever legal. Não vi na fala do ministro nenhuma ilegalidade. Foi isso que a gente levou para a PRF”, disse Vasques.

Última fase da ação penal

O interrogatório dos réus do núcleo 2 é uma das últimas etapas do processo. A expectativa é de que o julgamento que decidirá sobre a condenação ou absolvição dos acusados ocorra no segundo semestre deste ano.

A denúncia apresentada pela PGR foi dividida em quatro núcleos. O núcleo 1, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete investigados, já foi interrogado no mês passado e está atualmente na fase de alegações finais. O julgamento dessa parte do processo está previsto para setembro.

Operações concentradas no Nordeste

Levantamentos da investigação mostraram que o efetivo da PRF atuante no dia do segundo turno das eleições de 2022 foi desproporcionalmente maior no Nordeste do que nas demais regiões do país.

Em 30 de outubro, 795 policiais rodoviários federais foram mobilizados no Nordeste, enquanto o número em outras regiões foi bem menor: 230 no Norte, 381 no Centro-Oeste, 418 no Sul e 528 no Sudeste.

O volume de veículos de transporte coletivo fiscalizados também chamou atenção: 2.185 ônibus foram parados no Nordeste, número superior ao registrado nas outras regiões — 310 no Norte, 571 no Sudeste, 632 no Sul e 893 no Centro-Oeste.

Esses dados reforçam a suspeita de que a atuação da PRF no Nordeste pode ter extrapolado a função de fiscalização rotineira, sendo apontada por investigadores como potencial estratégia para restringir o direito ao voto.

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O caso se tornou um dos pontos centrais da ação penal do STF sobre a tentativa de interferência no processo eleitoral, considerada pela PGR como parte de um plano coordenado para tentar subverter o resultado das urnas.

SÃO PAULO WEATHER