EUA, Ucrânia e Rússia encerram nova rodada sem acordo sobre guerra

Da redação de LexLegal
A segunda reunião trilateral entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia terminou neste sábado (24), em Abu Dhabi, sem a definição de um acordo para o fim da guerra, mas com a sinalização de que o processo diplomático seguirá em andamento. Fontes do governo dos Emirados Árabes Unidos informaram à AFP que um novo ciclo de negociações deverá começar já na próxima semana, na capital do país.
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As conversas ocorreram em um contexto de forte pressão militar. Horas antes da abertura da rodada, cidades ucranianas foram atingidas por novos ataques russos, com uso de mísseis e drones, que deixaram mortos, feridos e causaram interrupções no fornecimento de energia em pleno inverno. Em Kiev, ao menos uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas, segundo a Administração Militar da capital. Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, 27 pessoas ficaram feridas, conforme autoridades regionais.
Apesar do cenário de tensão, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou o encontro como produtivo do ponto de vista diplomático. “Este foi o primeiro encontro dentro desse formato em bastante tempo: dois dias de reuniões trilaterais. Muitos temas foram discutidos, e é importante que as conversas tenham sido construtivas. O foco central das discussões foi os possíveis parâmetros para o fim da guerra. Valorizo muito a compreensão da necessidade de monitoramento e supervisão dos Estados Unidos no processo de encerramento da guerra e de garantia de uma segurança real”, afirmou Zelensky, em publicação na rede X.
Segundo o presidente ucraniano, as delegações avançaram na definição de linhas gerais que poderão orientar futuras negociações. “Os representantes militares identificaram uma lista de temas para uma possível próxima reunião. Havendo disposição para avançar — e a Ucrânia está pronta — novas reuniões ocorrerão, possivelmente já na próxima semana. Espero um briefing pessoal da delegação assim que retornar”, completou.
Fontes do governo dos Emirados Árabes Unidos também utilizaram o termo “construtivas” para definir as conversas, sem detalhar os pontos debatidos. Antes do encontro, Zelensky já havia indicado que a questão territorial, especialmente a situação do Donbass, estaria no centro das discussões.
A delegação da Ucrânia foi liderada pelo ministro da Defesa, Rustem Umerov, e contou ainda com representantes do governo no Parlamento, do Ministério das Relações Exteriores e com oficiais militares de alta patente. Do lado dos Estados Unidos participaram, entre outros, Steve Witkoff, Jared Kushner, Dan Driscoll, Alexus Grynkewich e Josh Gruenbaum. A Rússia enviou integrantes de seus serviços de inteligência e das Forças Armadas.
Após os ataques registrados antes da reunião, o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, fez duras críticas ao presidente russo. “Cinicamente, Putin ordenou um brutal ataque massivo com mísseis contra a Ucrânia justamente enquanto as delegações se reúnem em Abu Dhabi para avançar no processo de paz liderado pelos Estados Unidos”, escreveu. “Seus mísseis atingem não apenas o nosso povo, mas também a mesa de negociações.”, declarou Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia.
O encontro ocorre em meio a uma intensa movimentação diplomática internacional. Poucas horas antes do início das conversas em Abu Dhabi, o presidente russo, Vladimir Putin, havia discutido possíveis caminhos para um acordo com enviados do ex-presidente americano Donald Trump, que voltou a defender uma solução rápida para o conflito, mesmo que isso envolva concessões territoriais por parte da Ucrânia.
Nos bastidores, permanece o impasse entre as propostas europeias e as exigências do Kremlin. Um plano elaborado por líderes da União Europeia e da Ucrânia prevê a interrupção dos combates na atual linha de frente, garantias de segurança a Kiev, reconstrução econômica e um modelo de supervisão internacional. Em contrapartida, Moscou insiste no controle total do Donbass, no reconhecimento internacional dos territórios ocupados, na redução substancial do Exército ucraniano e na rejeição definitiva da entrada da Ucrânia na Otan.
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A ausência de um acordo nesta segunda rodada reforça a avaliação de que o processo de negociação tende a ser prolongado e politicamente complexo. Mesmo assim, o compromisso de manter o diálogo aberto indica que, ao menos no campo diplomático, as partes ainda buscam evitar o colapso completo das tentativas de solução negociada.