EUA tentam asfixiar Cuba via bloqueio da exportação de serviço médico

Da redação de LexLegal
O governo dos Estados Unidos, durante a gestão Donald Trump, ampliou as medidas de pressão contra Cuba e países que mantêm cooperação médica com a ilha, atingindo também funcionários brasileiros vinculados ao programa Mais Médicos.
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No mesmo dia em que cancelou vistos de servidores brasileiros, o Departamento de Estado também revogou autorizações de entrada para funcionários e familiares de governos africanos, de Granada e de Cuba, todos envolvidos em programas de saúde com profissionais cubanos.
Para o analista de geopolítica Hugo Albuquerque, a iniciativa foi “uma manobra de provocação” que buscou intensificar o isolamento de Cuba e, simultaneamente, influenciar a política brasileira. “Foi uma política importante do governo Dilma e foi polêmica porque diminuía o isolamento da ilha”, disse.
Em comunicado, o Departamento de Estado justificou que esses acordos “enriquecem o corrupto regime cubano” e “privam o povo cubano de cuidados médicos essenciais”. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rebateu afirmando que a cooperação é uma fonte legítima de receita e de assistência a países que solicitam apoio, destacando que muitas missões médicas cubanas são gratuitas.
Segundo o Ministério da Saúde cubano, cerca de 24 mil médicos atuam em 56 países, e a exportação de serviços médicos representou, em 2019, quase metade das exportações da ilha. Chefes de governo do Caribe reagiram duramente à pressão, como Mia Mottley (Barbados), que afirmou que seu país não teria superado a pandemia sem os médicos cubanos, e Keith Rowley (Trinidad e Tobago), que classificou a acusação de “trabalho forçado” como ofensiva à soberania nacional.
No Brasil, Hugo Albuquerque vê o cancelamento de vistos como parte de uma escalada contra o país: “Trump está transformando o Brasil num experimento”, disse, associando as medidas à tentativa de manter o país na órbita de influência de Washington em meio à disputa comercial com a China.
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Criado em 2013, o Mais Médicos chegou a contar com mais de 11 mil profissionais cubanos via Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e é reconhecido por ampliar a cobertura de atenção básica em mais de 4 mil municípios, beneficiando mais de 66 milhões de pessoas desde sua implantação.