EUA tem interesse em minerais estratégicos do Brasil

EUA tem interesse em minerais estratégicos do Brasil
Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Mineral estratégico para ligas metálicas e tecnologia de ponta, o nióbio (foto) é abundante no Brasil, que lidera a produção mundial do insumo/Gov.br
Publicado em 25/07/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

Em meio à crise diplomática com os Estados Unidos após o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o encarregado de negócios da embaixada americana no Brasil, Gabriel Escobar, voltou a expressar o interesse de seu país nos minerais críticos e estratégicos (MCEs) brasileiros. A declaração foi relatada nesta quinta-feira (24) por Raul Jungmann, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), após reunião com representantes do setor privado.

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O encarregado de negócios da embaixada não falou isso, de ‘realizar acordos’ etc. O que ele falou é que os EUA tinham interesse nos MCEs — o que, aliás, ele já tinha nos falado há três meses”, afirmou Jungmann. Segundo ele, o Ibram reafirmou que qualquer negociação institucional deve ser conduzida pelo governo brasileiro. “Dissemos então que a pauta de negociações era privativa do governo. E que nós pretendíamos negociar com o setor privado de lá”, completou.

Minerais críticos e estratégicos são insumos fundamentais para tecnologias de ponta — como baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, chips, satélites e sistemas de defesa. Muitos desses minerais estão na categoria das chamadas terras raras, grupo de elementos essenciais para a indústria moderna e em destaque nas disputas geopolíticas entre China e Estados Unidos.

O Brasil, embora pouco conhecido do público geral por esse protagonismo, ocupa lugar central nessa disputa. O país detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, segundo o Serviço Geológico dos EUA. Também possui grandes jazidas de nióbio, lítio, cobalto, cobre, grafite e urânio — todos considerados essenciais para a transição energética e digital.

A manifestação de Escobar ocorreu enquanto representantes do setor mineral discutem estratégias de atração de investimentos e parcerias internacionais. O encontro também aconteceu em um momento de tensão nas relações diplomáticas, já que o governo Lula considera a nova tarifa americana uma retaliação política relacionada às decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para especialistas, o Brasil pode se tornar um player estratégico na nova economia verde e tecnológica — desde que consiga agregar valor à sua produção mineral. O desafio está em transformar as reservas naturais em oportunidades de industrialização e inovação. Isso implica avançar na capacidade de refino, no desenvolvimento de tecnologia própria e em acordos que estimulem a transferência de conhecimento e infraestrutura.

O governo federal tem dado os primeiros passos nesse sentido, com medidas voltadas à verticalização da produção mineral e parcerias com centros de pesquisa. Além disso, iniciativas como o Plano Nacional de Mineração e projetos do BNDES e Finep buscam fomentar a transformação de recursos naturais em cadeias produtivas tecnológicas instaladas no país.

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Enquanto a geopolítica das matérias-primas críticas se intensifica — com Estados Unidos e China firmando acordos estratégicos sobre o tema —, o Brasil se vê no centro de uma disputa por influência, investimentos e soberania tecnológica. A forma como o país definirá suas políticas minerais pode determinar seu papel nas próximas décadas da economia global.


SÃO PAULO WEATHER