EUA reduzem tarifas para café, carne e frutas brasileiras após pressão de mercado

EUA reduzem tarifas para café, carne e frutas brasileiras após pressão de mercado
Valorização do café no mercado internacional impulsionou receita recorde das exportações brasileiras em 2025/Marcello Casal jr/Agência Brasil
Publicado em 15/11/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

A Casa Branca publicou nesta sexta-feira (14) uma ordem executiva do presidente Donald Trump reduzindo tarifas de importação para uma série de produtos agrícolas, medida que afeta diretamente setores em que o Brasil é grande fornecedor, como café, carne bovina e frutas tropicais. A decisão altera parte do tarifaço imposto pelos EUA desde abril e reforçado em agosto, que elevou para até 50% a taxação sobre exportações brasileiras.

Leia também: Relatório mostra que 66% dos moradores de áreas de risco no Brasil são negros

Segundo o comunicado divulgado em Washington, itens como café e chá, cacau, frutas frescas e congeladas, sucos, tomate, banana, laranja, especiarias, carne bovina e alguns fertilizantes deixarão de estar sujeitos às tarifas recíprocas. A Casa Branca não especificou a porcentagem exata da redução, o que ainda mantém dúvidas no setor exportador brasileiro.

Tarifaço de Trump havia imposto 50% ao Brasil

A revisão ocorre meses após o governo Trump estabelecer sobretaxas globais: 10% ao Brasil em abril, seguidos por mais 40% em agosto, resultando na maior tarifa entre todos os países atingidos pela medida. Desde agosto, produtos brasileiros enfrentavam um acréscimo de 50% para entrar no mercado norte-americano — o que afetou especialmente café e carne, cuja demanda interna nos EUA segue pressionada por preços elevados.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que está analisando o novo decreto.

Setor agroexportador reage, mas aguarda clareza

O Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) afirmou que ainda não é possível saber qual tarifa teve redução:

“É necessária análise para entender se esse novo ato se aplica apenas à tarifa base de 10%, à de 40% ou a ambas”, declarou a entidade.

Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) comemorou a decisão:

“A redução tarifária devolve previsibilidade ao setor e cria condições mais adequadas para o bom funcionamento do comércio”, informou a associação em nota.

Medida vale para mercadorias já retiradas de armazém

De acordo com o governo norte-americano, a redução tarifária passou a valer para produtos importados e retirados em armazém desde quinta-feira (13). A Casa Branca também atualizou sua lista de isenções. Parte dos itens já havia recebido benefícios anteriores, como o suco de laranja — outro produto relevante para a pauta exportadora brasileira.

Negociações recentes pesaram na decisão

A flexibilização ocorre após semanas de negociações entre Brasília e Washington. O impulso final veio do encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia, em outubro. Na última terça-feira (12), Trump mencionou em entrevista à Fox News que estudava reduzir tarifas sobre o café.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, também discutiram o tema na quinta-feira (13). No entanto, o decreto não cita nenhum país especificamente.

Trump justificou a mudança dizendo considerar “informações e recomendações” de assessores que monitoram a ordem do tarifaço, além de fatores como demanda interna dos EUA e capacidade doméstica de produção.

Veja também: Desemprego atinge menor nível em 13 anos e 11 unidades da federação registram recorde de baixa

O Brasil é o principal fornecedor de café para os Estados Unidos, além de estar entre os maiores exportadores de carne bovina para o mercado norte-americano. Com a alta de preços de alimentos nos EUA, a pressão por reajustar tarifas cresceu entre varejistas e importadores locais.

SÃO PAULO WEATHER