EUA mandam delegado brasileiro envolvido no caso Ramagem deixar o país

Da Redação de LexLegal
O governo dos Estados Unidos solicitou que um delegado da Polícia Federal brasileira deixe o território norte-americano. O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental afirmou que o servidor tentou burlar os canais formais de cooperação jurídica internacional. Embora o nome não tenha sido revelado, o órgão vinculou a medida ao policial que atuou na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem na Flórida.
Leia também: KLA anuncia Lorena Serraglio como nova head de Proteção de Dados e IA
Abuso de imigração e crise diplomática
A diplomacia dos EUA utilizou as redes sociais para subir o tom contra a conduta do funcionário brasileiro. Segundo o comunicado, houve uma tentativa de manipular o sistema de imigração para acelerar procedimentos que deveriam seguir ritos de extradição. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”, declarou o escritório governamental.
A crise ocorre dias após Ramagem ser solto pela justiça norte-americana. O ex-diretor da Abin havia sido detido em Orlando na última quarta-feira (15), mas permaneceu apenas dois dias sob custódia. O Itamaraty e a direção da Polícia Federal ainda não emitiram notas oficiais sobre a expulsão do delegado ou sobre os impactos nas relações bilaterais de segurança.
Condenação e fuga para a Flórida
Alexandre Ramagem é considerado foragido desde que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão. Ele foi considerado culpado por crimes de organização criminosa armada e tentativa de golpe de Estado. O ministro Alexandre de Moraes enviou o pedido oficial de extradição em dezembro de 2025, após o ex-deputado fugir do Brasil para evitar o início do cumprimento da pena.
Veja também: PF prende MC Ryan SP e Poze do Rodo em operação contra lavagem de R$ 1,6 bilhão
A Polícia Federal sustenta que a prisão inicial de Ramagem foi fruto de cooperação policial, mas a reação de Washington sugere que o delegado brasileiro teria excedido suas competências legais em solo estrangeiro. O caso agora aguarda definições sobre a validade do pedido de extradição e o retorno do servidor ao Brasil.