EUA dizem na ONU que não estão em guerra com a Venezuela

EUA dizem na ONU que não estão em guerra com a Venezuela
Reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU discute operação dos EUA na Venezuela/Don Conahan/ONU
Publicado em 05/01/2026 às 17:00

Da redação de LexLegal

Os Estados Unidos negaram nesta segunda-feira (5) estar em guerra ou promover uma ocupação militar na Venezuela ao justificar, em reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), a operação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no último sábado (3), em Caracas. A delegação norte-americana sustentou que a ação teve caráter jurídico e não militar, classificando o episódio como uma medida de “aplicação da lei”.

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Durante a sessão, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Michael Waltz, afirmou que a operação foi conduzida com apoio das Forças Armadas, mas dentro de uma lógica de cumprimento de acusações judiciais antigas. “Não há guerra contra a Venezuela nem contra o seu povo. Não estamos ocupando um país. Tratou-se de uma operação de aplicação da lei em cumprimento de acusações legais que existem há décadas”, declarou o diplomata.

Waltz acrescentou que Maduro responderá a processo judicial nos Estados Unidos. “Os Estados Unidos prenderam um narcotraficante que agora responderá a julgamento nos Estados Unidos, de acordo com o Estado de Direito, pelos crimes que cometeu contra o nosso povo ao longo de 15 anos”, afirmou.

O representante norte-americano descreveu Maduro e sua esposa, Cilia Flores, como fugitivos da Justiça dos EUA e reiterou a acusação de que o líder venezuelano chefiaria uma organização criminosa envolvida no tráfico internacional de drogas e armas, conhecida como “Cartel de los Soles”. Organizações internacionais, como a International Crisis Group, contestam a existência do suposto cartel e apontam que a narrativa tem sido utilizada como instrumento político para justificar ações de pressão e intervenção contra o governo venezuelano. Ainda assim, Waltz declarou que “provas esmagadoras” serão apresentadas nos processos judiciais.

Em sua fala, o embaixador comparou a operação que levou à captura de Maduro à invasão do Panamá, em 1989, quando o então presidente Manuel Noriega foi levado aos Estados Unidos, julgado e condenado. Waltz ressaltou que, na visão de Washington, Maduro não é reconhecido como chefe de Estado legítimo. Segundo ele, mais de 50 países rejeitam o resultado das eleições venezuelanas de 2024, classificadas como fraudulentas por um painel de especialistas das Nações Unidas.

“Se as Nações Unidas conferirem legitimidade a um narcoterrorista ilegítimo e lhe derem o mesmo tratamento previsto nesta Carta que a um presidente democraticamente eleito ou chefe de Estado, que tipo de organização é essa?”, questionou o diplomata norte-americano, em referência ao papel da ONU no reconhecimento de governos.

Waltz também acusou Maduro de enriquecimento ilícito e de favorecer a atuação de adversários estratégicos dos Estados Unidos em território venezuelano. “Este é o Hemisfério Ocidental. É onde vivemos e não vamos permitir que seja usado como base de operações por adversários, concorrentes e rivais dos Estados Unidos”, disse. Ele mencionou diretamente o Irã, o Hezbollah, grupos criminosos e agentes de inteligência cubanos como atores que, segundo Washington, estariam presentes no país sul-americano.

O embaixador ainda relacionou a disputa geopolítica às reservas energéticas venezuelanas. “Não se pode continuar tendo as maiores reservas de energia do mundo sob o controle de adversários dos Estados Unidos, sob líderes ilegítimos, sem beneficiar o povo da Venezuela, e sendo roubadas por um punhado de oligarcas dentro do país”, afirmou.

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A declaração norte-americana foi recebida com críticas por diferentes delegações e reacendeu o debate sobre soberania, legalidade internacional e os limites da atuação de Estados em território estrangeiro. O tema deve seguir em discussão no Conselho de Segurança, em meio à crescente tensão diplomática envolvendo os Estados Unidos, a Venezuela e outros países da América Latina.

SÃO PAULO WEATHER