Estudo mostra como patentes e marcas passaram a influenciar crédito no Brasil

Estudo mostra como patentes e marcas passaram a influenciar crédito no Brasil
Levantamento aponta avanço do INPI e valorização de ativos intangíveis/Freepik
Publicado em 07/04/2026 às 8:32

Da redação de LexLegal

A propriedade intelectual deixou de ser um tema restrito a registros formais e passou a ocupar posição estratégica na economia brasileira. É o que mostra o Relatório Anual de Propriedade Intelectual Brasil 2025, lançado pelo Instituto Dannemann Siemsen (IDS), que reúne dados estatísticos, mudanças legais e decisões judiciais que ajudam a entender como o país está tratando patentes, marcas e ativos intangíveis. O documento aponta que a gestão e a valoração desses ativos ganharam centralidade nas políticas públicas e no ambiente empresarial.

Leia também: Etienne Sanz de Acedo: “A propriedade intelectual não pode ser arma política”

O relatório foi estruturado em quatro grandes eixos que ajudam a mapear o cenário jurídico e econômico da propriedade intelectual no país. O primeiro reúne dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial sobre pedidos e concessões de patentes, marcas e desenhos industriais. O segundo destaca atualizações legislativas e tratados internacionais.

O terceiro analisa decisões judiciais relevantes, especialmente do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. O quarto reúne notícias e tendências relacionadas ao tema, incluindo inteligência artificial e proteção de dados.

Esse modelo de análise indica que a propriedade intelectual passou a ser tratada como infraestrutura jurídica essencial para a inovação. Isso significa que patentes e marcas passaram a ser vistas como ativos econômicos capazes de gerar crédito, atrair investimentos e influenciar estratégias empresariais.

Ativos intangíveis ganham valor e entram no radar do crédito

Um dos principais resultados destacados no relatório é o avanço das iniciativas do INPI para transformar ativos de propriedade intelectual em instrumentos financeiros. Em 2025, o instituto lançou materiais técnicos, guias e estudos voltados à gestão e à valoração desses ativos.

Essas iniciativas incluem a publicação de um e-book sobre valor econômico da propriedade intelectual, além de guias voltados à auditoria e à avaliação de ativos protegidos. O relatório também destaca estudos que analisam o uso desses ativos como garantia em operações financeiras, o que representa uma mudança relevante na lógica tradicional de crédito empresarial.

Na prática, isso significa que patentes e marcas passam a ser tratadas de forma semelhante a imóveis ou máquinas em operações de financiamento. Do ponto de vista jurídico, essa mudança amplia o papel da propriedade intelectual dentro do direito empresarial e financeiro.

Essa transformação traz novos desafios regulatórios. A avaliação correta do valor de uma patente ou marca exige critérios técnicos, análise de mercado e segurança jurídica para evitar disputas judiciais sobre a titularidade ou o valor do ativo.

Também surge um novo campo de atuação para advogados especializados, que passam a atuar em contratos de garantia envolvendo ativos intangíveis.

Inovação e competitividade passam a depender da proteção jurídica

Outro destaque do relatório é a relação direta entre propriedade intelectual e competitividade econômica. O documento aponta que o desempenho brasileiro em inovação passou a ser medido com base em indicadores internacionais e nacionais.

Entre eles está o Global Innovation Index, elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, que avalia países com base em critérios como infraestrutura, conhecimento e economia criativa.

No plano interno, o Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento segue metodologia semelhante para medir o desempenho regional em ciência e tecnologia. Esses indicadores ajudam a orientar políticas públicas e decisões estratégicas voltadas à inovação.

Do ponto de vista legal, essa integração entre inovação e propriedade intelectual fortalece a necessidade de proteção jurídica eficiente. Empresas que desenvolvem tecnologia dependem da exclusividade garantida por patentes para recuperar investimentos e manter vantagem competitiva.

Essa lógica explica por que a proteção legal da inovação passou a ser vista como requisito para crescimento econômico sustentável.

Combate à pirataria reforça papel internacional do Brasil

O relatório também aponta que o Brasil ganhou destaque internacional no combate à pirataria e à contrafação. Em 2025, o país foi citado em documento da Comissão Europeia como exemplo de atuação robusta no enfrentamento dessas práticas.

Outras notícias: Morre Peter Dirk Siemsen, principal referência da Propriedade Intelectual no Brasil, aos 97 anos

Esse reconhecimento está ligado ao fortalecimento da cooperação entre autoridades públicas e operadores de mercado para reduzir a oferta de produtos falsificados. O objetivo dessas iniciativas é estimular que plataformas digitais e mercados físicos adotem medidas mais rígidas para impedir a comercialização de produtos que violam direitos de propriedade intelectual.

Do ponto de vista jurídico, o combate à pirataria envolve diferentes áreas do direito, incluindo direito penal, administrativo e civil. Empresas que comercializam produtos falsificados podem sofrer sanções administrativas, multas e processos judiciais por danos materiais e morais.

Além disso, a responsabilização de plataformas digitais passou a ser um dos temas mais debatidos no direito digital.

Dados e tecnologia mudam a forma de gerir propriedade intelectual

Outra novidade relevante apontada no relatório é o uso crescente de dados e inteligência analítica na gestão de ativos de propriedade intelectual. O INPI publicou séries históricas com dados de inovação entre 2014 e 2024, permitindo análises mais precisas sobre a evolução da inovação no país.

Esses dados ajudam a identificar padrões regionais, setores mais inovadores e áreas com maior potencial de crescimento tecnológico. Segundo o relatório, a análise orientada por dados passou a ser um dos principais instrumentos para formulação de políticas públicas relacionadas à inovação e competitividade.

Esse cenário indica que a propriedade intelectual passou a ser tratada como parte de uma estratégia nacional de desenvolvimento econômico. Na prática, isso significa que decisões administrativas e judiciais passam a considerar dados estatísticos e evidências econômicas com maior frequência.

Legislação e jurisprudência acompanham evolução tecnológica

O levantamento destaca que a evolução tecnológica exigiu atualização constante das normas legais relacionadas à propriedade intelectual.

Nos últimos anos, o Brasil passou por mudanças legislativas que ampliaram a proteção de patentes, marcas e desenhos industriais. Além disso, decisões judiciais recentes ajudaram a consolidar entendimentos sobre temas complexos, como nulidade de registros, concorrência desleal e uso indevido de marcas.

Esse movimento demonstra que o direito da propriedade intelectual deixou de ser estático e passou a acompanhar o ritmo das transformações tecnológicas. Outro ponto importante envolve a integração entre propriedade intelectual e proteção de dados pessoais.

Com o avanço da inteligência artificial e da economia digital, surgiram novas formas de exploração econômica de ativos intangíveis. Isso exige atualização constante das regras jurídicas e maior especialização dos profissionais envolvidos.

Propriedade intelectual passa a integrar estratégia econômica nacional

Um dos pontos mais relevantes do relatório é o reconhecimento de que ativos intangíveis passaram a ter papel central na economia brasileira.

O documento destaca que investimentos em inovação e propriedade intelectual passaram a ser considerados indicadores estratégicos para o desenvolvimento econômico. Esse movimento acompanha tendências internacionais, nas quais o valor das empresas está cada vez mais ligado a ativos intangíveis, como marcas, patentes e softwares.

Essa mudança exige adaptação das estruturas jurídicas tradicionais. Contratos comerciais, operações financeiras e processos judiciais passaram a incluir cláusulas específicas relacionadas à proteção de ativos intangíveis.

Esse novo cenário amplia a importância da segurança jurídica na área de propriedade intelectual. Sem regras claras e previsíveis, empresas tendem a reduzir investimentos em inovação, o que afeta diretamente a competitividade do país.

Veja também: Propriedade intelectual adota modelo por assinatura para reduzir custos no Brasil

Segundo o IDS, a iniciativa reforça sua missão institucional de promover o estudo da propriedade intelectual e estimular o debate qualificado sobre o tema no Brasil. A entidade também destaca o trabalho colaborativo envolvido na elaboração do material, que busca contribuir para a disseminação de conhecimento técnico e estratégico na área.

O relatório completo pode ser acessado gratuitamente por meio deste link.


SÃO PAULO WEATHER