Estudo do Museu Nacional revela desafios e avanços na recuperação ambiental da Ilha de Trindade
Pesquisa de 30 anos mostra como a remoção de espécies invasoras, como as cabras, é eficaz, mas exige estratégias de restauração e adaptação ao clima extremo da ilha.

Da redação de LexLegal
Um estudo de longo prazo conduzido por pesquisadores do Museu Nacional no Rio de Janeiro jogou luz sobre os desafios e estratégias para recuperar ecossistemas insulares degradados. O foco da pesquisa foi a Ilha de Trindade, localizada a mais de mil quilômetros da costa do Espírito Santo, que sofreu intensamente com a introdução de espécies invasoras, especialmente cabras, desde o século 18.
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A investigação, que comparou imagens e dados ambientais entre 1994 e 2024, concluiu que a presença desses animais comprometeu o crescimento de espécies nativas, intensificou a erosão do solo e empobreceu o ecossistema local. As condições climáticas da ilha, como chuvas irregulares, altas temperaturas e ventos fortes, agravaram ainda mais o processo de degradação.
“A degradação das espécies nativas se intensificou com a introdução das cabras no século 18, quando elas passaram a se alimentar de praticamente toda a vegetação disponível, incluindo plantas endêmicas, ou seja, aquelas que só existiam ali. Elas impediram o crescimento de mudas, causaram a erosão do solo, e reduziram a cobertura vegetal, levando a um empobrecimento geral do ecossistema”, explicou Márcia Gonçalves, uma das autoras do estudo. Ela ressaltou que o impacto vai além do consumo das plantas: as cabras impediram o crescimento de mudas, reduzindo a cobertura vegetal e favorecendo a erosão.
Outro autor da pesquisa, Felipe Zuñe, destacou que a experiência da Ilha da Trindade é um exemplo importante para a conservação de outras ilhas tropicais. Segundo ele, a remoção das espécies invasoras é essencial, mas deve estar acompanhada de plantio de vegetação nativa e manejo adaptativo. “O caso da Ilha da Trindade é exemplar para outras ilhas tropicais que enfrentam problemas semelhantes com invasões biológicas. Mostramos que remover espécies invasoras é eficaz, mas ainda assim precisa vir acompanhada de ações de restauração ambiental e manejo adaptativo que considerem outros fatores, como são os fatores ambientais”, afirmou Zuñe.
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