Escala 6×1: governo quer enviar projeto ainda no primeiro semestre para agilizar aprovação

Da redação de LexLegal
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga (6×1) é uma das prioridades do governo federal em 2026. Segundo ela, o Executivo avalia enviar um projeto para unificar as propostas que já tramitam no Congresso sobre o tema.
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Para Gleisi, a expectativa é que a mudança seja aprovada ainda no primeiro semestre. A ministra afirmou que há ambiente político favorável e que o presidente da Câmara, Hugo Motta, é “simpático” à discussão da matéria.
“Depois do presidente ter feito a correção do salário mínimo por aumento real, ter conquistado mais empregos para população, ter feito a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, está na hora de cuidar da qualidade de vida do povo brasileiro”, disse.
Ela argumentou que a escala atual afeta diretamente a vida pessoal dos trabalhadores. “Não é possível que as pessoas tenham um dia só por semana para descansar e para terem os seus afazeres domésticos e pessoais. Isso atinge principalmente as mulheres”, afirmou.
Segundo a ministra, o tema tem apoio popular e tende a encontrar respaldo no Parlamento. “Quando você tem a opinião pública, quando você mostra certeza de uma proposta, eu acho que a casa se mostra sensível”, declarou.
Gleisi também citou que parte do setor produtivo já adota jornadas diferenciadas, o que facilitaria a transição para um novo modelo de organização do trabalho.
Além do fim da escala 6×1, ela listou como prioridades do ano legislativo a aprovação do acordo Mercosul-União Europeia, a regulamentação do trabalho por aplicativos, a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção.
Também estão na agenda medidas provisórias como a criação do programa Gás do Povo e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter no Brasil, conhecido como Redata.
Outro ponto destacado foi a articulação do governo para manter o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro.
“Nós estamos conversando com os líderes, nosso objetivo é manter o veto. Esse processo de responsabilização é pedagógico. Qualquer situação que mexa nisso vai ser muito ruim para a democracia”, pontuou.
Gleisi informou ainda que os Três Poderes devem assinar em 4 de fevereiro um pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio, tema que entrou no centro da agenda política do governo Lula.
Sobre emendas parlamentares, a ministra disse que o assunto está pacificado. O Orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas, sendo R$ 37,8 bilhões impositivas. Segundo ela, ao menos 65% desse valor deverá ser pago até julho.
“Não temos compromisso de execução de emendas que precisam de convênio e de emendas de comissão”, explicou.
Na mesma entrevista, Gleisi comentou as investigações envolvendo o Banco Master. Ela afirmou que não há irregularidade em reuniões do presidente Lula com empresários do setor financeiro. “O presidente recebe muita gente. Isso é da natureza do cargo. O que importa é que ele determinou rigor na apuração”, declarou.
Sobre o ex-ministro Ricardo Lewandowski, disse que a atuação dele como consultor do banco ocorreu antes de assumir cargo no governo. “Não há problema, irregularidade nenhuma, crime nenhum”, afirmou.
Ela destacou que foi na gestão de Lewandowski no Ministério da Justiça que a Polícia Federal avançou nas investigações. “Foi nessa gestão que o presidente do Master, o Vorcaro, foi preso”, disse.
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Gleisi reforçou que as apurações seguem tanto no Banco Central quanto na Polícia Federal e que o governo não irá interferir no andamento técnico das investigações. Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro foi alvo da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras estimadas em até R$ 17 bilhões envolvendo o Banco Master.
Para a ministra, a oposição tenta politizar o caso. “O governo tem sido firme, decidido em fazer a investigação”, concluiu.