Equity as a service e o futuro das legaltechs

Priscila de Oliveira Spadinger*

Nos últimos anos, o ecossistema de inovação jurídica tem amadurecido de forma acelerada, tanto no Brasil quanto no mundo. O que antes parecia um movimento isolado de algumas startups tornou-se um mercado em expansão global: estimativas recentes apontam que o setor de legaltech deve movimentar mais de US$ 35 bilhões até 2025, alcançando a marca de US$ 72 bilhões até 2035. Trata-se de uma transformação estrutural da forma como o Direito se relaciona com a tecnologia, com reflexos diretos em escritórios, departamentos jurídicos e tribunais.
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Mas existe um desafio recorrente que limita o crescimento de muitas startups promissoras: estruturação societária e governança de capital. É nesse ponto que surge o conceito de equity as a service (EaaS).
O que significa equity as a service?
O equity as a service (EaaS) propõe tratar a equity, isto é, a participação societária e toda sua engenharia de governança, não apenas como um ativo estático, mas como uma infraestrutura contínua.
Isso envolve desde a organização do captable (a “tabela de capitalização”, que mostra a divisão de participação entre fundadores, investidores e colaboradores), passando pela implementação de programas de incentivo a talentos, como o ESOP/VSOP (planos de participação acionária para colaboradores ou executivos, geralmente em forma de stock options, que permitem reter e motivar talentos-chave), até a criação de playbooks para rodadas de investimento e eventuais processos de fusão e aquisição.
Quando esse modelo é oferecido como serviço, os fundadores ficam livres para se concentrar naquilo que mais importa: produto, mercado e clientes. Ao mesmo tempo, investidores e parceiros ganham previsibilidade e segurança jurídica.
Venture builders e a diferença na jornada das startups
Diversas pesquisas internacionais comprovam que startups desenvolvidas em venture builders têm desempenho superior àquelas que nascem de forma isolada. Dados de associações globais de estúdios de inovação demonstram que:
- 84% das startups originadas em venture builders conseguem captar sua rodada Seed, contra pouco mais de 40% das tradicionais.
- O tempo médio até a Série A é reduzido praticamente pela metade.
- A taxa de sucesso no longo prazo e o retorno para investidores são substancialmente maiores.
Esses números não surpreendem: quando os empreendedores contam com apoio na modelagem societária, na governança e na preparação para captação, evitam erros comuns que costumam comprometer os dois primeiros anos de vida da startup. No Brasil, a Aleve LegalTech Ventures S/A atua justamente nesse ponto de interseção entre venture building e EaaS.
Por que isso importa agora
O momento é único. O mercado global cresce, a adoção de inteligência artificial no Direito já é realidade e, no Brasil, o ecossistema de Lawtechs organizado pela AB2L se fortaleceu de maneira impressionante nos últimos cinco anos. Isso abre espaço para consolidações, parcerias e captações em escala.
Quem chegar a esse movimento com uma governança bem estruturada terá uma vantagem competitiva clara: será visto como investível e confiável desde o início.
Equity as a service é mais do que uma tendência: é a base para que startups legaltech consigam transformar inovação em negócios sustentáveis e atrativos para investidores. Ao unir esse modelo ao formato de venture builder, a Aleve contribui para que fundadores brasileiros tenham condições equivalentes às das startups globais, encurtando o caminho entre ideia, capital e escala.
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No fim, trata-se de um movimento essencial para consolidar um ecossistema jurídico mais inovador, competitivo e conectado.
*Priscila de Oliveira Spadinger é CEO da Aleve LegalTech Ventures S/A e colunista do Portal LexLegal Brasil.
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