Entidades da sociedade civil criticam sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes

Entidades da sociedade civil criticam sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes
As críticas de organizações da sociedade civil e o posicionamento de entidades brasileiras mostram que as sanções aplicadas pelos EUA geram não apenas tensões diplomáticas, mas também preocupações sobre possíveis violações de princípios democráticos e de soberania nacional/Alan Santos/PR
Publicado em 31/07/2025 às 6:00

Da redação de LexLegal

A Human Rights Watch (HRW) criticou nesta quarta-feira (30) as sanções aplicadas pelo governo dos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a confirmação da taxação de parte das exportações brasileiras. Para a organização internacional, as medidas configuram uma interferência direta na independência do Judiciário brasileiro.

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“As sanções contra um ministro do Supremo Tribunal Federal e as tarifas impostas pelo governo Trump ao Brasil são uma clara violação da independência judicial, pilar da democracia. Se discordam de uma decisão, deveriam recorrer, não impor punições aos ministros e ao país”, afirmou a HRW em comunicado.

A Transparência Internacional – Brasil também se posicionou de forma contundente, classificando como “alarmante e inaceitável” a utilização da Lei Magnitsky com fins políticos e econômicos. “Essa prática tem se tornado cada vez mais frequente sob a atual administração Trump. No caso do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator dos processos do ex-presidente Jair Bolsonaro, tal medida apenas fomentará mais instabilidade política no Brasil”, declarou a entidade.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) somou-se às manifestações de apoio a Moraes. “As ações que visam deslegitimar ou intimidar figuras públicas que desempenham funções essenciais à manutenção do Estado de Direito constituem uma afronta à soberania brasileira e aos valores democráticos que defendem”, afirmou a associação.

Sanções aplicadas

Mais cedo, o governo norte-americano anunciou a aplicação de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, legislação estadunidense que permite a imposição de sanções econômicas a indivíduos acusados de violações de direitos humanos. A norma autoriza o bloqueio de contas bancárias, ativos e aplicações financeiras nos Estados Unidos, além de proibir empresas americanas de realizar transações com os sancionados e impedir a entrada dessas pessoas no país.

No entanto, especialistas avaliam que os impactos da medida sobre Moraes devem ser limitados, já que o ministro não possui bens ou contas bancárias nos Estados Unidos e não costuma viajar ao país. Esta é a segunda medida punitiva do governo Trump direcionada ao magistrado. No dia 18 de julho, o secretário de Estado Marco Rubio já havia anunciado a revogação dos vistos do ministro, de seus familiares e de “aliados na Corte”.

A revogação ocorreu após Moraes abrir inquérito para investigar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, por suspeita de atuação junto ao governo dos Estados Unidos para promover medidas de retaliação contra ministros do STF e barrar o avanço da ação penal sobre a tentativa de golpe. Eduardo Bolsonaro pediu licença do mandato em março deste ano e viajou aos Estados Unidos, alegando perseguição política. Sua licença terminou no último dia 20.

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SÃO PAULO WEATHER