Entidades dos setores produtivo e agro mostram preocupação com efeitos de tarifaço de Trump

Entidades dos setores produtivo e agro mostram preocupação com efeitos de tarifaço de Trump
Apesar da gravidade do cenário, o governo acredita que a combinação de medidas fiscais, crédito direcionado e diversificação de destinos de exportação pode evitar uma retração mais severa na economia brasileira/Diego Baravelli/MInfra
Publicado em 10/07/2025 às 11:00

Da redação de LexLegal

A decisão do governo norte-americano de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros provocou forte reação entre representantes da indústria, do agronegócio e do comércio exterior. A medida foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sob justificativas políticas e comerciais, e deve entrar em vigor em 1º de agosto. Para entidades brasileiras, a decisão ameaça a estabilidade das relações econômicas com um dos principais parceiros comerciais do Brasil e pode inviabilizar exportações relevantes para o país.

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a falta de fundamentos econômicos para a elevação das tarifas. “Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban. Segundo ele, a indústria brasileira é altamente integrada ao sistema produtivo norte-americano, e a ruptura dessa relação causaria prejuízos significativos. A CNI defendeu ainda um esforço de diálogo contínuo entre os dois governos para preservar o comércio bilateral.

Outro setor diretamente afetado é o de carnes. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alertou que a nova alíquota tornará os produtos brasileiros inviáveis no mercado dos EUA. Em nota, a entidade destacou que barreiras comerciais não devem ser confundidas com questões geopolíticas. “A Abiec reforça a importância de que questões geopolíticas não se transformem em barreiras ao abastecimento global e à garantia da segurança alimentar”, destacou a associação, que também sinalizou disposição para contribuir com negociações diplomáticas.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) considerou a decisão norte-americana um sinal de alerta. “A nova alíquota produz reflexos diretos e atinge o agronegócio nacional, com impactos no câmbio, no consequente aumento do custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras”, diz trecho do comunicado. A bancada ruralista pediu uma resposta diplomática firme e estratégica, com presença ativa do Brasil nas mesas de negociação.

Já a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) classificou a medida como política, e não econômica, com efeitos expressivos para a imagem internacional do Brasil. “É certamente uma das maiores taxações a que um país já foi submetido na história do comércio internacional, só aplicada aos piores inimigos, o que nunca foi o caso do Brasil”, afirmou o presidente-executivo José Augusto de Castro. A entidade alertou que a decisão pode afastar também compradores de outros países por receio de represálias de Trump. Para a AEB, o momento exige bom senso e esforço diplomático para evitar prejuízos à economia como um todo.

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SÃO PAULO WEATHER