Entidades alertam para risco de colapso no financiamento climático às vésperas da COP30

Entidades alertam para risco de colapso no financiamento climático às vésperas da COP30
Organizações ambientais cobram de países desenvolvidos maior compromisso com o financiamento climático e alertam para o risco de retrocesso nas metas globais às vésperas da COP30, em Belém/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Publicado em 16/10/2025 às 13:30

Da redação de LexLegal

A menos de um mês da COP30, que será realizada em Belém (PA), organizações da sociedade civil expressaram preocupação com a condução das negociações oficiais e a falta de clareza sobre o financiamento global para o combate às mudanças climáticas. Após o encerramento das atividades da Pré-COP, as entidades destacaram que o maior desafio da conferência será garantir recursos concretos para ações de mitigação, adaptação e compensação de perdas e danos.

Leia também: Silveiro Advogados assessora emissões de cotas da Rio Bravo no valor de R$ 120 mi

O alerta ocorre após o Observatório Meteorológico Mundial divulgar um relatório indicando a maior concentração de gás carbônico na atmosfera desde 1957, impulsionada pelo aumento do consumo de combustíveis fósseis e pela intensificação dos incêndios florestais.

Financiamento insuficiente e falta de consenso

Segundo Tatiana Oliveira, representante da WWF, os documentos preliminares da conferência não refletem a urgência da crise climática.

“Em que não só não aponta um caminho concreto para se chegar a US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, mas não dá a devida atenção ao financiamento público necessário para avançar nas agendas de adaptação e perdas e danos. E aí eu quero lembrar: não há adaptação e perdas e danos sem financiamento público. A iniciativa privada não tem modelo de negócio para investir nesse tipo de ação”, destacou.

A proposta de alcançar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 enfrenta resistência entre os países desenvolvidos. As entidades lembram que as nações ricas, principais responsáveis pelas emissões históricas de carbono, têm a obrigação de financiar as políticas de transição energética nos países em desenvolvimento.

A presidente do Instituto TalanoaNatalie Unterstell, reforçou o alerta e defendeu a ampliação dos recursos destinados ao financiamento climático.

“Porque, com a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e com o fato de que muitos países, especialmente os europeus, mas são 13 no total, eles têm metas de aporte, têm obrigações de financiamento climático e que elas vencem este ano, a gente vai ter um abismo ano que vem de financiamento para adaptação. Então, se hoje já não é muita coisa, a gente está aí perto dos 40 bilhões, ano que vem, tá? Então, por isso que Belém tem que ser esse momento em que dá a virada, em que você dá um novo sinal para 2030.”

Unterstell alerta que o vencimento das metas de financiamento este ano pode criar um vácuo de recursos em 2026, com impactos diretos nos países mais vulneráveis, sobretudo da América Latina e da África.

Metas climáticas e justiça ambiental

As NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) — metas de redução de poluentes que cada país deve apresentar — também foram alvo de críticas. Segundo Anna Maria Cárcamo, do Greenpeace, apenas 60 paísesapresentaram suas metas atualizadas, e boa parte delas não está alinhada com os compromissos do Acordo de Paris, firmado em 2015.

“Nós, como sociedade civil, entendemos que é absolutamente fundamental que essa COP dê uma resposta efetiva a essa lacuna de ambição das NDCs e que fomente um aumento de ambição nas NDCs, não só em relação ao aumento de mitigação, mas também adaptação, financiamento, e que olhe para manter esse aumento de temperatura global em 1,5 grau, alinhado com a ciência, e que incorpore também o olhar da justiça climática, para que a gente tenha uma transição verdadeiramente justa”, afirmou.

Veja também: Trump 2.0 reacende guerra comercial com China e disputa por terras raras

COP30, considerada uma das conferências climáticas mais importantes desde Paris, busca construir consensos sobre o financiamento climático global e garantir que os países avancem nas metas de redução de emissões para conter o aquecimento do planeta em até 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Belém será palco das negociações que definirão o rumo da política ambiental internacional nos próximos anos, com o Brasil sob os holofotes por sediar o evento e pela expectativa de protagonismo diplomático.


SÃO PAULO WEATHER