Emprego com carteira no setor privado chega a 39,4 milhões no Brasil

Emprego com carteira no setor privado chega a 39,4 milhões no Brasil
Indústria lidera geração de empregos com carteira assinada; comércio fecha postos/Agência Brasil
Publicado em 31/12/2025 às 14:00

Da redação de LexLegal

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado do Brasil cresceu 2,6% no trimestre encerrado em novembro, com a inclusão de cerca de 1 milhão de pessoas. O dado representa um recorde histórico e faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

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Com o resultado, o país passou a contabilizar 39,4 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado, número que não inclui trabalhadores domésticos. O levantamento também apontou crescimento no setor público, que chegou a 13,1 milhões de trabalhadores, outro patamar inédito. No trimestre, o avanço foi de 1,9%, o equivalente a 250 mil pessoas, enquanto no acumulado do ano a alta foi de 3,8%, com acréscimo de 484 mil trabalhadores.

Para a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, mesmo sem uma variação considerada estatisticamente significativa no trimestre, a trajetória de crescimento explica o recorde alcançado. “Embora não significativa, sempre vem acrescentando carteira no cômputo geral, ou seja, é um movimento que foi sustentado ao longo de 2024 e agora para 2025”, afirmou durante entrevista virtual para apresentação dos dados.

No mesmo período, o número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado manteve estabilidade no trimestre e somou 13,6 milhões de pessoas. No acumulado anual, houve recuo de 3,4%, o que representa menos 486 mil trabalhadores nessa condição.

O contingente de trabalhadores por conta própria atingiu 26 milhões de pessoas, o maior nível da série histórica da pesquisa. Apesar de estabilidade na comparação trimestral, o crescimento anual foi de 2,9%, com acréscimo de 734 mil pessoas. “O trabalho por conta própria chega à marca inédita de 26 milhões, a maior estimativa da série histórica da pesquisa”, destacou a coordenadora.

O avanço do emprego formal contribuiu para a redução da taxa de informalidade. No trimestre encerrado em novembro, 37,7% da população ocupada estava em situação informal, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores. O percentual é inferior ao registrado no trimestre encerrado em agosto e também menor que o observado no mesmo período de 2024.

Segundo Adriana Beringuy, o comportamento da informalidade chama atenção. “O ramo informal não apenas não cresceu como retraiu. Isso faz um movimento de perda de força do ramo informal”, avaliou. Ela ressaltou que parte relevante dos 601 mil trabalhadores que ingressaram na população ocupada no trimestre foi absorvida pelo segmento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais, que cresceu 2,6%, com mais 492 mil pessoas ocupadas.

No trimestre encerrado em agosto, a taxa de desocupação ficou em 5,2% da força de trabalho, o equivalente a 5,6 milhões de pessoas em busca de emprego. Trata-se do menor índice desde 2012, início da série histórica da Pnad Contínua, com sucessivas quedas desde o trimestre encerrado em junho de 2025.

O rendimento médio real habitual da população ocupada também alcançou recorde no trimestre encerrado em novembro, ao atingir R$ 3.574. O valor representa alta de 1,8% no trimestre e de 4,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, já descontada a inflação. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos ganhos registrados nos setores de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas.

Com a combinação de aumento do emprego e da renda, a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 363,7 bilhões, novo recorde da série. O montante cresceu 2,5% no trimestre, o equivalente a R$ 9 bilhões, e 5,8% no acumulado anual, com acréscimo de R$ 19,9 bilhões, segundo o IBGE.

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A Pnad Contínua é a principal pesquisa sobre o mercado de trabalho no país e abrange cerca de 211 mil domicílios em 3.500 municípios, visitados trimestralmente. Aproximadamente dois mil entrevistadores participam da coleta, distribuídos em mais de 500 agências do instituto em todo o Brasil.

SÃO PAULO WEATHER