Emissões de gases no Brasil caem 16% e atingem menor nível em 16 anos

Emissões de gases no Brasil caem 16% e atingem menor nível em 16 anos
Queda no desmatamento e aumento da capacidade de remoção de carbono pelas florestas explicam a redução histórica das emissões brasileiras em 2024/Fernando Frazão/Agência Brasil
Publicado em 24/01/2026 às 7:00

Da redação de LexLegal

As emissões brasileiras de gases de efeito estufa atingiram em 2024 o menor patamar dos últimos 16 anos, segundo dados do Observatório do Clima. No total, o país lançou 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente na atmosfera, uma redução de 16% em relação a 2023. O resultado reposiciona o Brasil no cenário internacional poucos dias antes da realização da COP30.

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Quando se desconta a quantidade de carbono removida da atmosfera pelas áreas de vegetação, o saldo líquido fica em cerca de 1,5 bilhão de toneladas. Esse é o indicador utilizado para medir o desempenho do país frente às metas assumidas no Acordo de Paris e aos compromissos internacionais de redução das emissões.

Para o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, o resultado tem peso político e diplomático relevante. “Um resultado excepcional, melhor dos últimos 15 anos e que também dá para o Brasil um certo conforto e um pouco mais de propriedade antes dessa conferência. Uma vez que dificilmente a gente terá dentro do G20 ou dentro dos 10 maiores emissores, países chegando na COP com um número de redução total das suas emissões”.

O levantamento mostra que a principal fonte de emissões no Brasil segue sendo a mudança no uso da terra, especialmente o desmatamento. Ainda assim, foi justamente nesse setor que ocorreu a maior contribuição para a queda registrada em 2024, impulsionada pela redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Segundo a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Bárbara Zimbres, a queda foi expressiva nas emissões brutas associadas ao uso da terra. “No último ano a gente teve a maior queda nas emissões brutas dos últimos anos, então foram uma queda de 32%. Em 2024, então, a gente fechou com 906 milhões de toneladas de emissões brutas, sendo que 98% disso é desmatamento e 656 milhões de toneladas de remoções. A remoção em áreas protegidas, a vegetação primária e a recuperação da vegetação”.

Na prática, isso significa que a contenção do desmatamento e a capacidade de absorção de carbono pelas florestas e áreas protegidas tiveram papel central na melhora do desempenho ambiental brasileiro.

Depois do uso da terra, a agropecuária aparece como o segundo maior setor emissor. O principal fator são os gases provenientes da digestão de animais ruminantes, como bovinos, que liberam metano durante o processo digestivo. Trata-se de uma característica estrutural da matriz agropecuária brasileira, fortemente baseada na pecuária.

Na sequência vêm os setores de energia, manejo de resíduos e indústria, que juntos respondem por parcela menor das emissões totais quando comparados ao impacto do desmatamento e da agropecuária, mas que permanecem relevantes no esforço de transição para uma economia de baixo carbono.

O resultado divulgado pelo Observatório do Clima reforça a centralidade da política ambiental no desempenho climático do país. Diferentemente de economias altamente industrializadas, onde energia e indústria concentram a maior parte das emissões, no Brasil a preservação florestal continua sendo o fator decisivo para o cumprimento das metas climáticas.

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Além do impacto ambiental, os números também têm peso estratégico. Em um contexto de crescente pressão internacional por compromissos climáticos mais rigorosos, a redução expressiva das emissões fortalece a posição brasileira em negociações multilaterais e amplia sua margem de liderança no debate sobre financiamento climático, preservação de florestas tropicais e transição justa.

SÃO PAULO WEATHER