Embraer tem melhor 1º trimestre desde 2016

Da redação de LexLegal
A Embraer divulgou nesta terça-feira (6) os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2025. Com receita líquida de R$ 6,4 bilhões, o período marcou o melhor primeiro trimestre da companhia desde 2016, representando um crescimento de 44% em relação ao mesmo período de 2024. Os dados reforçam a recuperação da fabricante brasileira de aeronaves após os impactos da pandemia e mostram a estratégia de diversificação e gestão da dívida como pilares da atual fase de crescimento.
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Segundo a companhia, as estimativas para o ano de 2025 foram mantidas, com previsão de entregar entre 77 e 85 jatos comerciais e entre 145 e 155 aeronaves executivas, considerando os segmentos de jatos leves e médios. A receita total projetada para o ano segue entre US$ 7,0 bilhões e US$ 7,5 bilhões, com margem EBIT ajustada entre 7,5% e 8,3% e fluxo de caixa livre ajustado de US$ 200 milhões ou mais.
A empresa também fez questão de destacar que os resultados do primeiro trimestre não sofreram impactos diretos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que têm afetado setores da indústria brasileira.
Crescimento operacional e financeiro
A Embraer registrou no trimestre um EBIT ajustado de R$ 359,2 milhões, o que representa uma margem de 5,6%, acima dos 0,8% registrados no 1T24.
No entanto, o fluxo de caixa livre ajustado sem considerar a Eve, braço de mobilidade aérea urbana da Embraer, foi negativo em R$ 2,3 bilhões. Segundo a fabricante, o resultado decorre principalmente de investimentos e preparação logística para um número maior de entregas previstas para os próximos trimestres. Essa movimentação é considerada normal para o setor e representa, na prática, a antecipação de custos vinculados à produção e à cadeia de suprimentos, com expectativa de reversão positiva nos próximos ciclos.
A carteira de pedidos firmes da companhia atingiu US$ 26,4 bilhões no primeiro trimestre, superando o recorde estabelecido no trimestre anterior e evidenciando a confiança do mercado global na linha de produtos da Embraer, tanto em aviação comercial quanto executiva e defesa.
Entregas superam expectativa
Entre janeiro e março, a Embraer entregou 30 aeronaves, sendo 7 jatos comerciais — 3 E195-E2 e 4 E175-E1 — e 23 jatos executivos, dos quais 14 são modelos leves e 9 são médios. O número representa um aumento de 20% em relação às 25 entregas realizadas no 1T24, indicando aceleração no ritmo de produção e entrega.
A fabricante segue com forte presença no segmento de jatos regionais, especialmente com a linha E2, posicionada como uma solução para companhias aéreas que buscam redução de custo e menores emissões. Os dados reforçam a estratégia da Embraer de capitalizar sobre a demanda global por aeronaves mais sustentáveis e adaptadas a rotas de média densidade, sobretudo no cenário pós-pandemia.
Gestão da dívida e emissão de bonds
Durante o primeiro trimestre, a Embraer realizou uma emissão de US$ 650 milhões em bonds de 10 anos, com rendimento de 158 pontos-base acima dos títulos do Tesouro dos EUA, considerado um bom desempenho em relação ao risco do mercado emergente. Parte dos recursos foi utilizada para recomprar US$ 522 milhões em títulos com vencimento em 2027 e US$ 150 milhões em papéis com vencimento em 2028, como parte de uma estratégia de alongamento e reestruturação da dívida.
Com isso, a duração média da dívida da companhia passou de 3,8 anos no quarto trimestre de 2024 para 6,3 anos no primeiro trimestre, aumentando a previsibilidade financeira e reduzindo riscos de curto prazo. Além disso, a relação entre dívida líquida e EBITDA caiu para 0,5x, ante 1,8x no mesmo período do ano anterior, indicando avanço significativo na desalavancagem.
A Embraer aprovou o pagamento de R$ 51,4 milhões em dividendos, o que representa R$ 0,07 por ação. Os dividendos estão relacionados ao exercício de 2024.
Com um portfólio diversificado que inclui aviação comercial, executiva, defesa e serviços, a Embraer segue ampliando sua presença em mercados estratégicos. A expectativa de crescimento da demanda por jatos regionais, a retomada de voos domésticos em diversas regiões e o impulso por aeronaves mais eficientes em carbono são fatores que devem beneficiar diretamente a fabricante brasileira.
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Além disso, o braço de inovação da companhia, a Eve Air Mobility, embora não tenha sido incluído nos resultados ajustados de fluxo de caixa, permanece como um ativo de longo prazo com alto potencial. A empresa desenvolve soluções de mobilidade aérea urbana com foco em veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOLs), posicionando-se entre os principais players do setor emergente de transporte aéreo sustentável.