Eleições em Portugal neste domingo têm recorde de candidatos e podem ir ao 2º turno

Eleições em Portugal neste domingo têm recorde de candidatos e podem ir ao 2º turno
O resultado das eleições será acompanhado de perto por governos europeus e por observadores internacionais, uma vez que Portugal ocupa posição estratégica na União Europeia e tem papel relevante em debates sobre política econômica, transição energética e cooperação internacional/Freepik
Publicado em 18/01/2026 às 12:55

Da redação de LexLegal

Os eleitores portugueses foram às urnas neste domingo (18) para escolher o sucessor do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que deixa o cargo após cumprir dois mandatos consecutivos de cinco anos. A votação marca um dos processos eleitorais mais disputados da história recente do país, com 11 candidatos concorrendo ao Palácio de Belém e a possibilidade concreta de realização de segundo turno, algo que não ocorre desde 1986.

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As seções eleitorais abriram às 8h no horário local, o que correspondeu às 5h em Brasília. O encerramento da votação está previsto para as 19h em Portugal Continental e na Ilha da Madeira, e para as 20h nos Açores, o que equivale, respectivamente, às 16h e 17h no horário brasileiro. De acordo com dados divulgados pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, até o meio-dia em Portugal, cerca de 21% do eleitorado já havia comparecido às urnas, índice considerado relevante para as primeiras horas de votação.

O pleito é histórico por reunir o maior número de candidaturas presidenciais já registradas no país. Ao todo, 11 nomes disputam a chefia de Estado, o que amplia o grau de fragmentação do voto e torna altamente provável a realização de uma segunda rodada. Pela legislação portuguesa, caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos válidos, um novo turno será realizado no dia 8 de fevereiro, reunindo os dois mais votados.

A última vez que Portugal precisou recorrer ao segundo turno em uma eleição presidencial foi em 1986, quando Mário Soares acabou eleito após disputa acirrada. Desde então, todas as eleições presidenciais foram decididas no primeiro turno, o que torna o cenário atual particularmente relevante do ponto de vista histórico e político.

Entre os principais nomes apontados pelas pesquisas de intenção de voto estão Luís Marques Mendes, do Partido Social Democrata (PSD), António José Seguro, do Partido Socialista (PS), André Ventura, líder do partido Chega, José Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, e Henrique Gouveia e Melo, que concorre como independente. Cada um representa campos políticos distintos e reflete a diversidade de posicionamentos ideológicos que hoje atravessam o debate público em Portugal.

O sistema político português confere ao presidente da República um papel central como chefe de Estado, árbitro institucional e garantidor do funcionamento regular das instituições democráticas. Embora o cargo não tenha funções executivas diretas, o presidente pode dissolver o Parlamento, convocar eleições legislativas, vetar leis e nomear o primeiro-ministro, o que torna sua escolha estratégica para a estabilidade política do país.

A presença de 11 candidatos neste pleito evidencia um momento de forte pluralização política, com a consolidação de forças tradicionais, como o PSD e o PS, ao lado de partidos emergentes e de candidaturas independentes. O crescimento de siglas como o Chega e a Iniciativa Liberal tem alterado o mapa político português e introduzido novas pautas no debate eleitoral, sobretudo em temas ligados à imigração, economia e organização do Estado.

Outro elemento relevante do processo é a expectativa em torno da taxa de participação. A abstenção tem sido um desafio constante nas eleições portuguesas, especialmente em pleitos presidenciais. O percentual de 21% de comparecimento até o meio-dia foi interpretado como um sinal de mobilização moderada, mas ainda insuficiente para indicar se haverá maior engajamento do eleitorado ao longo do dia.

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A posse do próximo presidente da República está prevista para 9 de março, data que se repete de forma simbólica desde 1986, consolidando-se como marco institucional da transição presidencial em Portugal. Até lá, caso haja segundo turno, o país viverá mais algumas semanas de intensa disputa política e definição de alianças.

SÃO PAULO WEATHER