Dólar recua para R$ 5,40 e bolsa sobe apesar da tensão geopolítica com a Venezuela

Da redação de LexLegal
Apesar do aumento das tensões internacionais após a invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, o mercado financeiro brasileiro teve um dia de alívio nesta segunda-feira (5). O dólar caiu para o menor patamar em quase um mês, enquanto a bolsa de valores avançou e alcançou o nível mais alto desde meados de dezembro, em um movimento alinhado ao cenário internacional.
Leia também: Boletim Focus 2026 indica inflação estável e projeções mantidas para PIB, dólar e Selic
O dólar comercial encerrou o pregão vendido a R$ 5,405, com recuo de 0,84%, o equivalente a R$ 0,018. A moeda norte-americana começou o dia em alta, chegando a ser negociada a R$ 5,45 por volta das 10h30, mas mudou de direção ao longo da manhã e passou a cair, acompanhando o comportamento do câmbio no exterior.
Este foi o menor valor de fechamento do dólar desde 12 de dezembro, quando a cotação terminou o dia em R$ 5,41. O movimento reforça a leitura de que, ao menos no curto prazo, os investidores reduziram a aversão ao risco, mesmo diante do agravamento do cenário geopolítico na América Latina.
No mercado acionário, o pregão também foi positivo. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou em alta de 0,83%, aos 161.870 pontos. Ao longo da manhã, o índice oscilou entre ganhos e perdas, mas ganhou força no período da tarde, sustentado principalmente por ações de bancos e mineradoras.
Com o resultado, a bolsa brasileira atingiu o maior nível desde 15 de dezembro, refletindo a entrada de recursos estrangeiros e a melhora do humor dos investidores em relação às economias emergentes.
No exterior, após um início de dia mais tenso, passou a predominar a avaliação de que a ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela pode ter efeitos deflacionários sobre a economia norte-americana. A expectativa é de que um eventual aumento da produção de petróleo amplie a oferta global da commodity nos próximos meses, pressionando para baixo os preços dos combustíveis.
Veja também: Litígios de consumo pressionam empresas e exigem estratégia jurídica em 2026
A queda no custo da energia tende a aliviar a inflação nos Estados Unidos, o que reforça apostas de que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, possa iniciar um ciclo de cortes de juros no começo de 2026. Em termos práticos, juros mais baixos nas economias centrais costumam estimular a migração de capital para mercados emergentes, como o Brasil, favorecendo tanto o câmbio quanto a bolsa.
Esse conjunto de fatores ajudou a sustentar o desempenho positivo dos ativos brasileiros, mesmo em um ambiente internacional marcado por incertezas políticas e diplomáticas.