Dólar recua para R$ 5,24 e Bolsa sobe na semana, apesar de escalada de tensão no Irã

Da redação de LexLegal
O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana com saldo positivo, conseguindo descolar parcialmente da volatilidade externa causada pelo conflito no Oriente Médio. O dólar fechou esta sexta-feira (27) em leve baixa de 0,28%, cotado a R$ 5,241, acumulando uma desvalorização de 1,27% nos últimos cinco dias.
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O movimento de alívio ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar a possibilidade de adiar ações militares diretas contra o Irã, o que acalmou investidores que temiam uma interrupção imediata no fluxo global de capitais.
O real apresentou um desempenho superior ao de outras moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano, impulsionado pela entrada de recursos estrangeiros no país. Para conter picos de instabilidade, o Banco Central (BC) atuou de forma incisiva na terça (24) e na quinta-feira (26), injetando US$ 2 bilhões no mercado de câmbio por meio de leilões de linha.
Nessa modalidade, a autoridade monetária vende dólares das reservas internacionais com o compromisso de recomprar o montante em data futura, garantindo liquidez ao sistema financeiro sem queimar reservas definitivamente.
Ibovespa resiste e encerra sequência de perdas
Mesmo com a queda de 0,64% nesta sexta-feira, acompanhando o mau humor das bolsas de Nova York, o Ibovespa fechou a semana com alta acumulada de 3,03%, aos 181.557 pontos. O índice foi sustentado principalmente por ações de petroleiras e empresas de energia, que se beneficiaram da valorização da commodity.
Por outro lado, setores ligados ao consumo e o setor bancário registraram perdas, pressionados pelas incertezas sobre os impactos inflacionários da guerra na economia global e o fechamento de indicadores econômicos negativos nos EUA.
Petróleo dispara com incerteza em rota estratégica
No mercado de commodities, o petróleo do tipo Brent saltou 3,37%, fechando o dia em US$ 105,32 o barril. A alta reflete o temor de que o Estreito de Ormuz, passagem vital para o comércio mundial, sofra bloqueios prolongados.
Embora o acumulado da semana para o petróleo ainda registre uma leve perda de 0,58% devido a declarações contraditórias sobre cessar-fogo, o patamar acima de cem dólares pressiona as projeções de inflação e mantém o mercado em estado de alerta para novos ajustes técnicos nas próximas sessões.
A resiliência dos ativos brasileiros nesta semana mostra que, por ora, o mercado interno conseguiu absorver as notícias externas sem pânico. Contudo, a valorização de 2,10% do dólar frente ao real no acumulado do mês de março acende um sinal amarelo para o custo das importações e para a política monetária do Copom.
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Analistas destacam que, sem a confirmação de uma trégua definitiva entre Washington e Teerã, a tendência é que a volatilidade continue ditando o ritmo das negociações, com o BC mantendo o gatilho pronto para novas intervenções se a moeda estadunidense voltar a testar o teto de R$ 5,30.