Dólar encosta em R$ 5,25 e Bolsa cai pelo terceiro dia com tensões entre EUA e Irã

Dólar encosta em R$ 5,25 e Bolsa cai pelo terceiro dia com tensões entre EUA e Irã
Alta do petróleo e temor sobre inflação global aumentam a aversão ao risco e pressionam os mercados/B3
Publicado em 19/02/2026 às 8:30

Da redação de LexLegal

O mercado financeiro brasileiro retomou as atividades nesta Quarta-Feira de Cinzas (18) sob forte influência do cenário internacional. Em um pregão encurtado, o dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,24, registrando uma alta de 0,21%. O movimento foi impulsionado pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano.

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A moeda iniciou o dia em baixa, tocando os R$ 5,20 na abertura, mas inverteu a tendência conforme as notícias externas ganharam peso. O ponto de maior pressão ocorreu por volta das 15h50, quando a cotação atingiu a máxima de R$ 5,25. O principal gatilho foi a retórica agressiva do presidente Donald Trump, que voltou a ameaçar o Irã. A Casa Branca afirmou haver diversos argumentos para uma ofensiva militar, o que elevou a aversão ao risco em países emergentes como o Brasil.

Ata do Fed e juros nos Estados Unidos

Além do conflito geopolítico, a economia norte-americana deu sinais de resistência que preocupam os investidores. A ata da última reunião do Fed revelou que o mercado de trabalho nos EUA continua mais robusto do que o esperado. Esse dado reduz drasticamente as chances de cortes próximos nas taxas de juros americanas, fortalecendo o dólar globalmente ao atrair capital para os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

No mercado de ações, o índice Ibovespa, da B3, fechou aos 186.016 pontos, com queda de 0,24%. Esta foi a terceira sessão consecutiva de perdas, desta vez puxada pelo desempenho negativo das mineradoras. A queda no preço do minério de ferro no mercado internacional nos últimos dias refletiu diretamente nas ações da Vale e de outras empresas do setor, que possuem peso relevante na composição do índice brasileiro.

Ausência de agenda local e ajustes técnicos

Sem indicadores econômicos relevantes divulgados no Brasil nesta quarta-feira, os investidores focaram nos ajustes técnicos pós-Carnaval. A liquidez reduzida, típica de dias com horário de negociação diferenciado, contribuiu para a volatilidade das cotações. Analistas apontam que, enquanto a incerteza sobre os juros americanos persistir e o conflito no Oriente Médio não arrefecer, o real deve continuar sob pressão.

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O encerramento do pregão consolida uma semana de cautela para o investidor brasileiro. O cenário externo, que combina riscos de guerra com políticas monetárias restritivas nas grandes economias, sobrepõe-se, por ora, às expectativas domésticas de controle inflacionário. A atenção do mercado agora se volta para os próximos desdobramentos diplomáticos entre Washington e Teerã, que podem ditar o ritmo do câmbio nos próximos dias.

SÃO PAULO WEATHER