Dólar cai ao menor nível desde dezembro e bolsa volta aos 163 mil pontos

Dólar cai ao menor nível desde dezembro e bolsa volta aos 163 mil pontos
Mercado reage a dados dos EUA e inflação no Brasil em dia de alívio financeiro/B3
Publicado em 10/01/2026 às 12:01

Da redação de LexLegal

O mercado financeiro teve um respiro nesta sexta-feira (9), depois de dias de maior tensão. O dólar interrompeu uma sequência de duas altas consecutivas, recuou e voltou a ser negociado no menor patamar desde o início de dezembro. Ao mesmo tempo, a bolsa brasileira conseguiu se recuperar e fechou novamente acima dos 163 mil pontos, sinalizando um ambiente de maior apetite por risco, ainda que com cautela.

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O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,365, com queda de R$ 0,024, o equivalente a recuo de 0,44%. A moeda começou a sessão praticamente estável, mas passou a cair após a divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que influenciaram a leitura dos investidores sobre o rumo dos juros no país. No momento mais baixo do dia, por volta das 14h, a cotação chegou a R$ 5,35.

Esse patamar representa o menor valor desde 4 de dezembro, quando o dólar foi negociado a R$ 5,31. No acumulado de janeiro, a moeda norte-americana já recua 2,24%, depois de ter subido 2,89% em dezembro. Em 2025, o movimento é ainda mais expressivo, com queda acumulada de 11,18%, o que mostra uma tendência de enfraquecimento da divisa frente ao real ao longo do último ano.

Na bolsa de valores, o dia também foi de recuperação. Após cair 1,03% na quinta-feira (8), o Ibovespa fechou aos 163.370 pontos, com alta de 0,27%. Durante a tarde, o índice chegou a subir 0,81%, mas perdeu parte do fôlego nas horas finais do pregão. Ainda assim, o saldo foi positivo e ajudou a reforçar a percepção de maior estabilidade no curto prazo.

No balanço semanal, a bolsa brasileira acumulou valorização de 1,76%. Em 2026, o Ibovespa já sobe 1,39%, mostrando que, apesar da volatilidade, o mercado acionário começa o ano com desempenho moderadamente positivo.

Os movimentos desta sexta foram resultado da combinação de fatores externos e internos. No cenário internacional, os dados divulgados sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos tiveram papel central. A criação de cerca de 50 mil empregos em dezembro ficou abaixo do esperado, o que foi interpretado como sinal de desaceleração da economia norte-americana. Para os investidores, isso aumenta a possibilidade de que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, possa iniciar um ciclo de corte de juros no começo de 2026.

A perspectiva de juros menores em economias desenvolvidas costuma favorecer países emergentes, como o Brasil. Com taxas mais baixas lá fora, parte do capital internacional tende a buscar mercados que oferecem retornos mais elevados, fortalecendo moedas locais e ampliando o fluxo de recursos para ativos financeiros desses países.

Além disso, o real também foi beneficiado pela alta de cerca de 2% no preço do petróleo no mercado internacional. Como o Brasil é exportador da commodity, a valorização do produto ajuda a melhorar a percepção sobre o fluxo de dólares no país, o que contribui para a queda da moeda norte-americana no mercado interno.

No ambiente doméstico, os dados mais recentes de inflação também influenciaram o comportamento do câmbio. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo fechou 2025 em 4,26%, dentro de um patamar que, embora ainda acima do centro da meta, foi considerado relativamente controlado. Por outro lado, os preços no setor de serviços seguem pressionados, o que leva o mercado a acreditar que o Banco Central brasileiro só deve iniciar cortes de juros a partir da reunião de março.

A manutenção de juros elevados no Brasil costuma fortalecer o real, porque aumenta a atratividade dos investimentos em renda fixa para o capital estrangeiro. Ao mesmo tempo, esse cenário tende a reduzir o apetite por ações, já que parte dos investidores prefere migrar recursos para aplicações mais conservadoras e com retorno garantido.

Esse equilíbrio delicado ajuda a explicar por que o dólar caiu de forma mais consistente enquanto a bolsa avançou de maneira mais moderada. O mercado encontrou um ponto intermediário entre o otimismo com o cenário externo e a cautela com as condições internas de crescimento e política monetária.

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O dia foi, portanto, de alívio, mas não de euforia. A leitura predominante entre os agentes financeiros é de que o ambiente segue sensível a qualquer mudança de expectativa, seja em relação aos juros nos Estados Unidos, seja sobre a trajetória da inflação e da política monetária no Brasil. Movimentos mais firmes devem depender de sinais mais claros sobre quando, de fato, começará o ciclo de cortes de juros nas principais economias.

SÃO PAULO WEATHER