DHPP prende nono suspeito de envolvimento na morte do ex-delegado-geral Ruy Ferraz

DHPP prende nono suspeito de envolvimento na morte do ex-delegado-geral Ruy Ferraz
Ex-delegado-geral Ruy Ferraz foi assassinado em 15 de setembro em Praia Grande; DHPP prendeu suspeito ligado à execução nesta sexta-feira (24)/Ruy Ferraz Fontes/Arquivo pessoa
Publicado em 26/10/2025 às 12:01

Da redação de LexLegal

Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) prendeu um homem de 38 anos suspeito de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes. A prisão ocorreu no Jardim Shangrilá, na zona sul da capital paulista.

De acordo com as investigações, o suspeito é proprietário de uma segunda casa em Praia Grande, no litoral paulista, utilizada pelos criminosos para planejar o atentado. O imóvel teria servido de ponto de apoio para o grupo monitorar a rotina de Ferraz e preparar a emboscada.

O ex-delegado-geral foi executado em 15 de setembro, quando voltava do trabalho. Ele dirigia seu carro pelas ruas de Praia Grande, onde atuava como secretário de Administração da prefeitura, quando foi perseguido por homens fortemente armados em outro veículo. Durante a fuga, bateu em um ônibus e, logo em seguida, foi alvejado com tiros de fuzil.

Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança, que mostram a perseguição e o momento em que o veículo do ex-delegado é interceptado. O crime chocou a corporação e provocou uma mobilização da Polícia Civil e do Ministério Público.

Histórico e investigações

Com mais de 40 anos de carreira policial, Ruy Ferraz foi um dos principais nomes no combate ao crime organizado em São Paulo. Ele participou de operações de grande impacto nos anos 2000, responsáveis pela prisão de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Diante desse histórico, a polícia trabalha com a hipótese de que a facção criminosa esteja por trás do assassinato. O DHPP apura se o crime foi uma retaliação direta às ações comandadas por Ferraz contra o grupo.

Desde setembro, as investigações vêm sendo conduzidas em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). O objetivo é identificar os mandantes e executores do atentado.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), oito suspeitos já foram presos por envolvimento no caso, incluindo integrantes de células ligadas ao PCC. A corporação reforçou o esquema de proteção a delegados e promotores que atuam em investigações sobre o crime organizado.

A morte de Ferraz reacendeu o debate sobre a necessidade de uma política nacional de combate às facções, tema defendido por promotores e autoridades como o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, e o promotor Lincoln Gakiya.

Ambos vêm defendendo a criação de uma agência nacional antimáfia, capaz de integrar informações entre polícias, Ministério Público, Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), com foco no rastreamento do dinheiro das organizações criminosas.

Enquanto novas diligências são realizadas, o DHPP segue colhendo depoimentos e analisando provas obtidas em celulares, veículos e residências ligados aos investigados.

SÃO PAULO WEATHER