Desmatamento na Amazônia cai 11% e atinge o terceiro menor nível desde 1988, diz governo

Da redação de LexLegal
A taxa de desmatamento na Amazônia Legal caiu 11,08% entre agosto de 2024 e julho de 2025, em comparação com o período anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A área desmatada chegou a 5,8 mil km², o terceiro menor patamar da série histórica iniciada em 1988, de acordo com o Prodes, sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
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A ministra Marina Silva afirmou que o resultado confirma a tendência de queda observada desde o início do atual governo. Segundo ela, o desmatamento no bioma amazônico acumulou uma redução de 50% desde 2022, representando uma mudança significativa após anos de avanço da destruição florestal.
“Esse é o terceiro ano consecutivo de redução dos indicadores. Estamos consolidando uma trajetória de recuperação ambiental baseada em ciência, controle e políticas públicas integradas”, afirmou a ministra.
Com a redução, o país evitou a emissão de cerca de 734 milhões de toneladas de CO₂ por desmatamento na Amazônia e no Cerrado desde 2022 — valor equivalente às emissões conjuntas da Espanha e da França em 2022, segundo o MMA.
Investimentos e políticas públicas
A divulgação ocorre a dez dias da COP30, a Conferência do Clima da ONU, que será realizada em Belém (PA). O governo vê o resultado como um sinal de fortalecimento da política ambiental brasileira e de compromisso com as metas internacionais de redução de emissões.
O secretário extraordinário do Ministério do Meio Ambiente, André Lima, destacou que o Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais foi essencial para o avanço dos resultados. Segundo ele, 70 municípios prioritários receberam quase R$ 800 milhões para iniciativas de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental.
“Os resultados foram surpreendentes. A descentralização das ações e o apoio direto aos municípios mostraram que é possível conciliar economia e conservação”, disse o secretário.
Reativação do Fundo Amazônia e reforço na fiscalização
Outro fator decisivo foi a reativação do Fundo Amazônia, que havia ficado paralisado entre 2019 e 2023. De acordo com o ministério, o mecanismo multiplicou por quatro a média de investimentos anuais nos últimos três anos, permitindo o fortalecimento das operações do Ibama, Polícia Federal e Corpos de Bombeiros estaduais.
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, detalhou que o número de ações de fiscalização aumentou de 14 mil (entre 2020 e 2022) para 25 mil (entre 2023 e 2025), um avanço de 80%.
“Foram 9.500 ações de fiscalização que resultaram em 4 mil autos de infração, quase R$ 3 bilhões em multas, mais de 3 mil propriedades embargadas e 4.500 apreensões de equipamentos usados no desmatamento. O volume de apreensões alcançou R$ 752 milhões”, destacou Agostinho.
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Política de incentivo às famílias conservacionistas
Além das ações de controle, o governo aposta em políticas de incentivo direto às populações da floresta. A ministra Marina Silva lembrou o papel do Bolsa Verde, programa que beneficia mais de 70 mil famílias que contribuem para a preservação de áreas rurais de interesse ecológico.
“Trata-se de uma política de valorização das pessoas que vivem na floresta e ajudam a mantê-la em pé. É um reconhecimento e um estímulo à conservação”, afirmou Marina.