Desemprego no Brasil cai para 5,8% e atinge o menor nível da série histórica

Desemprego no Brasil cai para 5,8% e atinge o menor nível da série histórica
Taxa de desemprego cai, país tem recorde de trabalhadores com carteira assinada e aumento no rendimento médio/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 01/08/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

A economia brasileira continua aquecida e o mercado de trabalho resiste aos efeitos contracionistas da política monetária do Banco Central (BC), mesmo com a taxa básica de juros (Selic) mantida em 15% ao ano – o maior patamar desde 2006. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (31), mostram que a taxa de desocupação no trimestre encerrado em junho caiu para 5,8%, a menor da série histórica iniciada em 2012.

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Além do desemprego em queda, o país bateu recordes no número de pessoas ocupadas (102,3 milhões), de trabalhadores com carteira assinada (39 milhões) e no rendimento médio mensal, que chegou a R$ 3.477.

“Bela surpresa”

Para o economista Gilberto Braga, professor do Ibmec, a taxa abaixo de 6% foi inesperada. “O resultado é surpreendente, não apenas no desemprego absoluto, mas em todas as frentes: houve aumento de contratações formais, queda da informalidade e crescimento do rendimento médio do trabalhador”, avaliou.

A taxa de informalidade – proporção de trabalhadores sem carteira assinada nem direitos trabalhistas – caiu para 37,8%, o menor nível desde 2020.

Juros altos e seus impactos

A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Com ela elevada, os empréstimos ficam mais caros, o que desestimula o consumo e os investimentos, ajudando a conter a alta dos preços. No entanto, esse efeito costuma demorar de seis a nove meses para impactar a economia.

Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 5,35% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Por isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a Selic no atual patamar.

Mercado de trabalho resistente

Para o economista Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), o cenário parece “contraditório”. “Apesar do juro alto, o mercado de trabalho segue aquecido, acompanhando a atividade econômica”, disse.

Já Sandro Sacchet, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lembra que o emprego demora a reagir às mudanças da Selic. Ele cita dois fatores que explicam a resistência do mercado: o Bolsa Família, mantido em R$ 600 desde 2023, que sustenta o consumo das famílias; e o crescimento do trabalho por conta própria, que hoje soma 25,7 milhões de pessoas, sendo entre 75% e 80% delas na informalidade.

Essa estrutura faz com que o mercado dependa mais do consumo e menos dos investimentos empresariais. “Isso ajuda a explicar por que a ocupação e a renda ainda não sentiram o peso do juro alto”, disse Sacchet.

Perspectivas

Apesar dos bons números, os especialistas alertam que a desaceleração da economia já começa a aparecer em alguns indicadores. “Não esperamos um aumento expressivo do desemprego, mas sim uma acomodação. O ritmo forte de criação de vagas que vimos desde 2023 pode não se manter nos próximos meses”, afirma Tobler.

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Sacchet projeta uma pequena elevação na taxa de desocupação ao longo do semestre, mas com queda no fim do ano, tradicionalmente puxada pelas contratações temporárias de Natal. “A taxa de desemprego deve permanecer em níveis menores que os de 2024 até o final de 2025”, conclui. Com informações da Agência Brasil.


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