Descartada por Trump, Corina ataca Delcy e promete voltar à Venezuela

Descartada por Trump, Corina ataca Delcy e promete voltar à Venezuela
Em entrevista à Fox News, veículo alinhado ao trumpismo, Corina Machado acusou Delcy Rodríguez de ser uma das “principais arquitetas” da repressão estatal e de manter relações estreitas com Rússia, China e Irã/Reprodução Instagram
Publicado em 07/01/2026 às 15:30

Da redação de LexLegal

A retirada de apoio explícito dos Estados Unidos à líder mais conhecida da oposição venezuelana, María Corina Machado, aprofundou as fissuras internas do campo oposicionista após o sequestro do presidente Nicolás Maduro, no último sábado (3). Mesmo descartada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como opção para liderar a Venezuela, Corina atacou a presidente interina Delcy Rodríguez, exaltou a atuação de Washington e prometeu retornar ao país “o mais breve possível”.

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Em entrevista à Fox News, veículo alinhado ao trumpismo, Corina Machado acusou Delcy Rodríguez de ser uma das “principais arquitetas” da repressão estatal e de manter relações estreitas com Rússia, China e Irã. Segundo a oposicionista, a presidente interina não oferece credibilidade a investidores internacionais. No mesmo discurso, agradeceu Trump e afirmou que o dia 3 de janeiro entrará para a história “como o dia em que a Justiça derrotou a tirania”, sustentando que a Venezuela estaria mais próxima da liberdade.

Enquanto o discurso de Corina reforça o confronto direto e a aposta na pressão externa, setores classificados como moderados da oposição venezuelana seguem defendendo negociações com o governo interino. O objetivo declarado desse grupo é obter avanços institucionais graduais, como a libertação de pessoas apontadas como presas políticas e a redução das tensões internas.

Impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2024 em razão de uma condenação por corrupção relacionada ao período em que foi deputada, Corina Machado indicou o diplomata Edmundo González para disputar o pleito realizado em 28 de julho do ano passado. De acordo com os dados oficiais divulgados pela Justiça Eleitoral venezuelana, González foi derrotado por Maduro. A ausência de divulgação detalhada dos resultados por urna levou observadores internacionais e diversos países a não reconhecerem formalmente o processo eleitoral, posição sustentada pela oposição, que reivindica vitória do candidato.

Durante a entrevista à emissora norte-americana, Corina voltou a sugerir que poderia assumir o poder em um cenário de saída definitiva de Maduro e defendeu a realização de novas eleições. Ela afirmou que pretende transformar a Venezuela em um polo energético regional, garantir segurança jurídica, abrir mercados e criar condições para o retorno de milhões de venezuelanos que deixaram o país nos últimos anos.

Em outubro, Corina Machado foi anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz por sua atuação contra os governos chavistas. Em dezembro, deixou a Venezuela rumo à Europa para participar da cerimônia de premiação.

Também fora do país, Edmundo González reiterou que se considera o presidente legítimo da Venezuela. Para ele, a captura de Maduro representa um passo relevante, mas ainda insuficiente para uma transição política efetiva. Em mensagem direcionada às Forças Armadas e aos órgãos de segurança, afirmou que cabe a essas instituições fazer cumprir o mandato popular expresso nas eleições de 2024. Os militares venezuelanos, no entanto, não reconhecem González como chefe de Estado.

Especialistas apontam que a oposição venezuelana permanece fragmentada. O professor Rodolfo Magallanes, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Central da Venezuela (UCV), afirmou à Agência Brasil que há uma divisão clara entre um setor mais radical, liderado por Corina Machado, e outro que atua dentro das regras institucionais vigentes, mesmo sob hegemonia chavista.

Segundo Magallanes, não existe diálogo entre os dois campos. Ele avalia que a ala moderada defende a soberania nacional e rejeita intervenções externas, ainda que mantenha críticas ao governo interino. Para o professor, coexistem duas estratégias opostas: uma marcada por ações extremas e ilegais e outra orientada pela busca de soluções políticas dentro do marco institucional.

Essa linha foi reforçada pelo deputado Stalin González, do partido Um Novo Tempo, ao assumir o mandato nesta semana. Ele criticou confrontos políticos que classificou como improdutivos e afirmou que aposta no diálogo como caminho para a libertação de presos e a reconstrução institucional. Segundo o parlamentar, a Assembleia Nacional deve funcionar como espaço de debate democrático e de reconciliação nacional, evitando disputas que aprofundem divisões sociais.

Os partidos alinhados a Corina Machado optaram por não participar das eleições legislativas de maio de 2025, alegando falta de garantias após as controvérsias do pleito presidencial anterior. A decisão foi criticada por lideranças históricas da oposição. O ex-candidato presidencial e ex-governador de Miranda Henrique Capriles rejeitou o boicote e foi eleito deputado federal para o período de 2026 a 2031.

Após o sequestro de Maduro, Capriles defendeu uma transição ordenada, a libertação de presos por razões políticas e alertou contra estratégias que, segundo ele, já custaram anos adicionais de retrocesso ao país. Para o parlamentar, o caos não contribui para mudanças duradouras e apenas amplia o sofrimento da população.

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No plano internacional, Donald Trump deixou claro que não vê María Corina Machado como alternativa viável para liderar a Venezuela. Após a captura de Maduro, o presidente norte-americano indicou disposição para dialogar com Delcy Rodríguez e afirmou que Corina não dispõe de apoio interno suficiente.

Trump declarou que considera difícil que ela exerça liderança no país por não contar, segundo ele, com respeito e respaldo político dentro da Venezuela, apesar de descrevê-la como uma figura pessoalmente simpática.

SÃO PAULO WEATHER