Desaparecidos: famílias cobram ação e lançam movimento nacional em SP

Desaparecidos: famílias cobram ação e lançam movimento nacional em SP
Familiares exibem cartazes e fotos na escadaria da Catedral da Sé em ato no Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, cobrando políticas públicas efetivas/Paulo Pinto/Agencia Brasil
Publicado em 31/08/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

No Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, celebrado neste sábado (30), familiares, entidades da sociedade civil e coletivos se reuniram nas escadarias da Catedral da Sé, em São Paulo, para dar visibilidade a uma realidade marcada pela dor e pela luta de milhares de famílias. O ato foi marcado por cartazes e fotos de desaparecidos, além do lançamento do Movimento Nacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas, que pretende unir forças em defesa da memória, da verdade e da justiça.

O encontro reforçou o apelo por medidas mais efetivas do poder público para enfrentar os casos de desaparecimento, um problema que atinge todas as regiões do país e que ainda carece de políticas públicas estruturadas.

Vozes de quem não desiste

Entre os relatos emocionados, Vera Lúcia Ranu, militante do grupo Mães em Luta, lembrou os 33 anos sem notícias de sua filha, desaparecida aos 13 anos.

“A minha filha desapareceu com 13 anos no bairro do Jaraguá. Ela ia para a escola e nunca mais voltou. Minha filha desapareceu numa época em que não se falava sobre desaparecimento. Para a polícia, era só mais um boletim de ocorrência, como é até hoje. Os familiares buscam a delegacia porque têm a necessidade do boletim de ocorrência, mas para eles a gente é só mais um número, porque se não existir o indício de um crime, não há investigação”, afirmou.

Vera destacou que algumas leis nasceram da insistência das famílias, mas ainda há muito a ser feito. Um exemplo é o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, que, segundo ela, ainda não conta com a adesão do estado de São Paulo.

Ivanise Esperidião da Silva, presidente e fundadora da Associação Mães da Sé, também levou sua voz ao ato. Ela entrou para a luta após o desaparecimento de sua filha de 13 anos, em 1995. Ivanise lembrou os meses em que procurou sozinha pela filha em hospitais e necrotérios de São Paulo, diante da falta de atenção das autoridades e da sociedade.

“Nós já estamos há 30 anos nessa luta e hoje a criação do Movimento Nacional de Familiares de Desaparecidos é a união e o fortalecimento de várias organizações, dos laços com essas famílias, para que a gente possa unir forças e cobrar das autoridades que essa realidade mude. Queremos ajudar as famílias, que em sua grande maioria desconhecem seus direitos e que buscam em nós seu último fio de esperança”, disse.

Mobilização coletiva

Participaram do lançamento do movimento nacional grupos como Mães da Sé, Mães em Luta, União de Vítimas, Esperança da Rua, Instituto Mercia Nakashima, Abrace, Mães do Paraná e Instituto Giorgio Renan por Justiça, entre outros. O objetivo é transformar a pauta em prioridade permanente, independentemente de mudanças de governo.

O ato na Sé se consolidou como mais um capítulo da mobilização social que, há décadas, busca respostas para um drama que mistura dor pessoal e ineficiência estrutural.


SÃO PAULO WEATHER