Deputada do PL faz blackface na Alesp e caso vai à polícia

Da redação de LexLegal
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) fez blackface na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta quarta-feira (18) ao atacar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara. O episódio levou parlamentares do PSOL à Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância e ampliou a pressão sobre a presidência da Alesp por uma resposta institucional.
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Blackface é uma prática racista em que uma pessoa branca escurece a pele ou usa acessórios para imitar de forma caricata traços de pessoas negras. O recurso nasceu em espetáculos nos Estados Unidos e ficou associado a representações humilhantes e estereotipadas da população negra, razão pela qual hoje é tratado como expressão de discriminação racial.
No discurso, Fabiana Bolsonaro tentou ironizar a presença de Erika Hilton no comando da comissão da Câmara. “Eu estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que eu não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra”, disse.
Na sequência, a deputada paulista também atacou a identidade de gênero da parlamentar do PSOL. “Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher. Eu não estou aqui ofendendo transexual, muito pelo contrário, eu estou dizendo, eu sou mulher, quero ser vista como mulher. A mulher do ano não pode ser trave (sic) transsexual”, acrescentou.
O pano de fundo do ataque é a eleição de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Ela foi escolhida em 11 de março por 11 votos a 10 em branco e se tornou a primeira mulher trans a comandar o colegiado. A disputa já havia provocado reação de setores conservadores na Câmara antes mesmo do episódio na Alesp.
Depois da fala de Fabiana Bolsonaro, a deputada estadual Mônica Seixas e a vereadora paulistana Luana Alves, ambas do PSOL, foram à polícia registrar boletim de ocorrência. Pelas redes sociais, Mônica afirmou: “Crime de racismo é inafiançável, aconteceu de forma televisionada sem nenhuma reação da presidência da Assembleia Legislativa ao fato da deputada Fabiana Bolsonaro ter feito blackface enquanto dizia impropérios transfóbicos na tribuna da Assembleia Legislativa”.
Segundo a Agência Brasil, Mônica também disse que pretende levar o caso à esfera criminal e ao Conselho de Ética da Casa, além de cobrar providências da presidência da Alesp. O presidente da Assembleia, André do Prado (PL), e Erika Hilton foram procurados pela reportagem, mas ainda não haviam se manifestado até a publicação da notícia.
O caso expõe uma combinação de duas frentes de tensão que ganharam força no debate público: o uso de prática reconhecida como racista e a tentativa de deslegitimar uma parlamentar trans em um espaço institucional voltado à pauta das mulheres. Ao sair do embate político e entrar no campo policial, o episódio passa a pressionar também a Assembleia, que agora terá de decidir se trata o caso como simples discurso de plenário ou como fato com possível repercussão disciplinar e criminal.
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A crise atinge a Alesp num momento em que o debate sobre racismo, transfobia e violência política de gênero já ocupa o centro da cena nacional. O foco agora recai sobre a reação das autoridades, sobre eventual apuração criminal e sobre o custo político de uma sessão televisionada em que a provocação passou sem resposta imediata da presidência da Casa.