Deputada do PL é alvo de pedido de cassação por blackface na Alesp

Deputada do PL é alvo de pedido de cassação por blackface na Alesp
Fabiana Bolsonaro virou alvo de ação no Conselho de Ética, boletim de ocorrência e denúncia ao Ministério Público após fala contra Erika Hilton/Reprodução/TV Alesp
Publicado em 20/03/2026 às 7:30

Da redação de LexLegal

Um grupo de deputados estaduais de São Paulo pediu a cassação da deputada Fabiana Bolsonaro (PL) no Conselho de Ética da Alesp após uma fala no plenário, na quarta-feira (18), em que ela fez um gesto associado à prática racista de blackface e atacou a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para o comando da Comissão da Mulher da Câmara.

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A ofensiva contra Fabiana não ficou restrita ao processo interno da Assembleia. A deputada estadual Mônica Seixas e a vereadora Luana Alves, ambas do PSOL, registraram boletim de ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. A deputada estadual Ediane Maria, também do PSOL, levou o caso ao Ministério Público de São Paulo com uma denúncia por racismo.

Nas redes sociais, Mônica resumiu o tom da reação política e jurídica ao episódio. “Racismo e transfobia são crimes! Já acionamos o Conselho de Ética e estamos na delegacia exigindo responsabilização imediata”, escreveu Mônica nas redes sociais.

O caso explodiu depois que Fabiana criticou, da tribuna da Alesp, a escolha de Erika Hilton, que é uma mulher trans, para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Durante a fala, a deputada do PL pintou o rosto e os braços de marrom e tentou sustentar uma comparação para questionar a legitimidade de Erika no posto.

“Estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra?”, disse.

A cena gerou reação imediata entre parlamentares e movimentos sociais, que classificaram o gesto como blackface e apontaram também teor transfóbico no discurso. A pressão cresceu porque o episódio ocorreu em ambiente institucional, dentro do plenário da Assembleia, e teve como alvo uma parlamentar eleita para um cargo de destaque em uma comissão ligada a direitos das mulheres.

Depois da repercussão, Fabiana tentou rebater as acusações nas redes sociais e em nota pública. Disse que sua fala foi uma analogia e negou ter cometido blackface.

“A analogia foi clara, só não entendeu quem não quis! Assim como eu não me torno negra só porque pintei a pele, ninguém que não nasceu mulher pode representar com legitimidade as dores biológicas, psicológicas e históricas que só as mulheres biológicas conhecem”, disse.

Em nota, a deputada insistiu na mesma linha de defesa. “Como deputada, afirmo com total clareza e responsabilidade jurídica: durante minha presença no Plenário da Assembleia Paulista não fiz blackface. É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”.

O episódio deve aprofundar a pressão sobre a Alesp para dar uma resposta política ao caso. Além do desgaste público, a deputada agora enfrenta frentes simultâneas no Conselho de Ética, na esfera policial e no Ministério Público.

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A nova crise também amplia o foco sobre os limites entre discurso político e prática discriminatória. No centro da controvérsia está o fato de que a reação contra Fabiana não se baseia só no conteúdo da fala, mas também no gesto encenado em plenário, visto por adversários como uma reprodução explícita de violência simbólica contra pessoas negras e trans.

SÃO PAULO WEATHER