Deolane Bezerra vira ré e investigação aponta plano do PCC com ativos em Dubai

Deolane Bezerra vira ré e investigação aponta plano do PCC com ativos em Dubai
Justiça aceita denúncia do Ministério Público e coloca influenciadora no centro de apuração sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC/Reprodução Instagram
Publicado em 19/06/2026 às 7:00

Da Redação de LexLegal

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra passou à condição de ré em uma ação penal que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia, aceita pela Justiça de São Paulo nesta semana, aponta que integrantes da organização criminosa planejavam transferir patrimônio e recursos para estruturas financeiras em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A decisão foi proferida pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau. Além de Deolane, também passaram a responder ao processo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, e outros investigados citados pelo Ministério Público.

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Segundo a denúncia, a investigação identificou um projeto de reorganização de empresas vinculadas ao grupo criminoso com o objetivo de deslocar ativos para os Emirados Árabes Unidos. A decisão judicial menciona que o país seria utilizado como destino para a estruturação patrimonial por meio de empresas de fachada, mecanismo frequentemente investigado em casos de ocultação de patrimônio e movimentação internacional de recursos.

Relatórios de inteligência financeira anexados ao processo indicam que cerca de R$ 27 milhões teriam circulado por contas bancárias ligadas à influenciadora. Os documentos apontam movimentações consideradas atípicas pelos investigadores, incluindo fragmentação de depósitos, utilização de terceiros para operações financeiras e divergências entre movimentação bancária e informações fiscais.

MP aponta ligação com operador financeiro da facção

De acordo com o Ministério Público, parte dos recursos investigados teria origem em uma transportadora sediada em Presidente Venceslau e supostamente controlada pelo PCC.

A acusação afirma que Everton de Sousa, conhecido pelos apelidos “Player” e “Temer”, apontado como operador financeiro de Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, seria responsável pela coordenação dos repasses analisados durante a investigação.

Os promotores também mencionam mensagens de áudio atribuídas a Deolane que, segundo a acusação, indicariam o armazenamento de valores ligados ao esquema em imóveis utilizados pela influenciadora e por familiares.

Carros de luxo foram alvo de bloqueio

Como parte das medidas cautelares adotadas durante a investigação, a Justiça determinou o sequestro de bens considerados de alto valor econômico.

Entre os veículos citados no processo estão uma Lamborghini Huracán, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Escalade. Segundo a decisão, os automóveis estariam registrados em nome da influenciadora ou de empresas associadas a ela.

O bloqueio de bens é uma medida prevista na legislação para preservar eventual patrimônio que possa ter relação com crimes investigados ou servir para ressarcimento futuro em caso de condenação.

O que muda com a abertura da ação penal

A aceitação da denúncia não representa condenação dos acusados.

Quando a Justiça recebe uma denúncia apresentada pelo Ministério Público, entende que existem elementos suficientes para iniciar a ação penal e aprofundar a análise dos fatos. A partir dessa etapa, acusação e defesa apresentam provas, testemunhas e argumentos antes da sentença.

O mérito da acusação ainda será examinado ao longo do processo.

Defesa nega ligação com o PCC

Em nota conjunta, os advogados Aury Lopes Júnior, Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes afirmaram que irão apresentar elementos para contestar as acusações.

Segundo a defesa, serão utilizados “todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa”.

Os advogados também sustentam que Deolane não possui “qualquer vínculo com o crime organizado” e que os recursos movimentados por ela possuem origem regular e devidamente declarada às autoridades competentes.

Prisão preventiva continua em vigor

Deolane está presa preventivamente desde 21 de maio deste ano em Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

A prisão preventiva é uma medida cautelar decretada antes de eventual condenação definitiva. Ela pode ser mantida quando a Justiça entende que existem requisitos previstos em lei, como risco à investigação, possibilidade de fuga ou ameaça à ordem pública.

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O caso agora entra em uma nova fase processual. Com a denúncia recebida, a Justiça passará a analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa para decidir se os investigados serão absolvidos ou condenados pelas acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

SÃO PAULO WEATHER